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Falatório sobre a RTP e os terrenos em Gaia

Falatório sobre a RTP e os terrenos em Gaia

Há dias, a polémica, ainda por esclarecer, teve a ver com a venda de terrenos da RTP em Miramar, Gaia. Esta terça-feira, a TV pública volta a estar na berlinda, novamente devido a terrenos, neste caso no Monte da Virgem, também em Gaia. PS e PCP querem ver esclarecidas as intenções de alienação. O falatório está instalado.

Sendo certo que o Mundo, por estes dias e não se sabe até quando, vai girando ao sabor dos estragos do coronavírus, há outros factos e notícias que nos aguçam a curiosidade. A venda de um terreno da RTP, em local privilegiado, em Miramar, na frente marítima, por supostos 600 mil euros, e que aparece, agora, no mercado, apreçado em 12,3 milhões de euros, é intrigante. Assim pensou pelo menos o BE, que tratou de indagar o Governo e a administração da TV.

No site de vendas "Idealista", o terreno é apresentado com um dos melhores do Porto para a construção de uma unidade hoteleira, resort ou condomínio de luxo. Essa é outra das dúvidas: a Câmara de Gaia e demais entidades estão abertas à implantação de um empreendimento desse tipo, a uns metros da praia e do mar, só com a estrada de permeio?

Se este assunto pode ser polémico, a hipótese da mesma RTP alienar terrenos do seu Centro de Produção do Norte (CPN), no Monte da Virgem, também é suscetível de gerar controvérsia. O tema chegou à Assembleia da República. Logo à nascença, PS e PCP pedem explicações. Entretanto, os deputados comunistas com assento na Assembleia Municipal prometem inquirir a Autarquia sobre os planos para a zona, no âmbito da revisão do PDM gaiense.

No Parlamento, o PS quer saber mais sobre a possibilidade do CPN encolher dos atuais 45 mil metros quadrados para 15 mil metros quadrados. A aclaração foi pedida ao Ministério da Cultura. "Apreensivos" e "preocupados" é como se manifestam parlamentares socialistas e comunistas acerca deste eventual cenário, que pode tirar força à RTP Porto e ajudar aqueles que sem dar a cara mexem-se nos corredores para não abrir mão da centralização de poderes na capital.

Seja em Miramar, já firmado, pois consta do Relatório e Contas de 2016, seja no Monte da Virgem, em fase de maturação, estes negócios imobiliários carecem de uma boa explicação pública. Os motivos até podem convencer, mas os partidos, e bem, dão voz às dúvidas e desconfianças. Dinheiro e interesses dão sempre que falar. Como é sabido.

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