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Inebriados pelos 700 golos

Portugal continua em boa posição para se apurar para o Euro 2020, mas a fase de qualificação tem sido demasiado mediana.

A seleção portuguesa sofreu uma derrota evitável na Ucrânia, num jogo em que a equipa de Fernando Santos pareceu inebriada pela possibilidade de Cristiano Ronaldo marcar o golo 700 da carreira. O astro madeirense acabou mesmo por consegui-lo em Kiev, mas os pontos eram mais importantes do que o enésimo feito individual de um jogador que não precisa de fazer mais nada para entrar na galeria dos imortais.

Quando acordou de uma entrada demasiado sonolenta, Portugal já estava a perder por 2-0 e o penálti convertido por Ronaldo na segunda parte serviu de pouco. Sem que seja preciso recorrer à calculadora para garantir o apuramento, a seleção das quinas não está a justificar nesta fase o título de campeã da Europa. Nos seis jogos realizados até agora, só ganhou três, dois dos quais a Lituânia e Luxemburgo.

Um empate e uma derrota com a Ucrânia, mais uma igualdade em casa com a Sérvia, são resultados abaixo do exigível para uma equipa do calibre da portuguesa e só mesmo a vitória conseguida em Belgrado, em setembro passado, servirá para evitar mais um embaraçoso play-off, desde que as próximas duas jornadas, novamente com lituanos e luxemburgueses no papel de adversários, acabem em dois indispensáveis triunfos.

Salvo uma hecatombe nesses jogos de novembro, Portugal vai poder defender o título no próximo verão, mas a fase final do Euro terá de ser muito diferente desta qualificação e também muito diferente do que foi o último Mundial. Fernando Santos deve sabê-lo melhor do que ninguém e de certeza que não está inebriado pela conquista da Liga das Nações, uma prova ainda com pouca expressão, à qual as seleções mais fortes da Europa não deram a devida atenção.

Quanto aos recordes que Ronaldo persegue, serão batidos com naturalidade. Os 14 golos que o separam do iraniano Ali Daei para ser o melhor marcador de sempre de uma seleção, vão surgir mais tarde ou mais cedo.