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A grande maldição dos campeões

A grande maldição dos campeões

Falta apenas um dia para o final da fase de grupos do Campeonato do Mundo e aí está a primeira grande surpresa, ou, se calhar, nem por isso. Depois de impor uma das maiores vergonhas futebolísticas da história do Brasil, com os os inesquecíveis 7-1 na meia-final de 2014, a Alemanha disse Au Wiedersehen à Rússia

O que aconteceu no Grupo F é histórico e, ao mesmo tempo, um novo episódio de uma estória cada vez mais comum. Vamos por partes: pela primeira vez, a Alemanha foi eliminada na fase de grupos de um Mundial, depois de ser goleada pelo México (0-3), sofrer para vencer a Suécia (2-1) e perder, esta quarta-feira, com a Coreia do Sul (0-2) quando apenas precisava de ganhar para garantir a presença nos oitavos de final. Ponto final no "clichê": na Rússia continuam a ser onze contra onze, mas no fim não vai ganhar a Alemanha.

Lá se foi o rigor, a eficácia e a capacidade de dizimar adversários que, durante décadas, foram as imagens de marca "mannschaft". De peito feito, os germânicos voltaram à Rússia onde venceram, em 2017, a Taça das Confederações com uma espécie de seleção B, mas, após um ensaio perfeito, foram apanhados na curva por uma maldição que tocou tocou quatro dos últimos cinco campeões mundiais.

França (1998), Itália (2006), Espanha (2010) e Alemanha (2014) tocaram os céus e, nos Campeonatos do Mundo seguintes, desceram ao fundo dos infernos em apenas três jogos. Depois do sofrimento argentino, as lágrimas alemãs e mais uma guerra de palavras no rescaldo do Portugal-Irão. Quaresma lembra que vozes do burro não chegam ao céu, Carlos Queiroz responde com coices entre trivelas e, apesar de desejar sorte à seleção portuguesa, o caldo está entornado. E nós que pensávamos que os problemas da seleção com Queiroz tinham acabado em 2010!

Aconteça o que acontecer nos próximos 15 dias, há mais uma "certeza" que deixa de o ser: depois de prognósticos assustadores - a eleição de Donald Trump, o ataque às Torres Gémeas, etc, etc -, os Simpsons finalmente falharam um. A previsão de uma final do Mundial de 2018 entre Portugal e o México é impossível de acontecer, já que na melhor das hipóteses, os dois países vão medir forças nas meias-finais. Com Uruguai (oitavos) e França ou Argentina (quartos) pela frente, o caminho da seleção de Fernando Santos não é fácil, mas os alemães bem gostavam de o percorrer. Não é, Joachim Low?

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