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A nova bota para descalçar de Costa

A nova bota para descalçar de Costa

O Governo livrou-se da crise dos professores e ganhou uma nova bota para descalçar da marca SIRESP . O imbróglio de 11 milhões de euros traz à memória os acontecimentos traumáticos que foram os incêndios de 2017.

Parece que o Tribunal de Contas não deixa o Governo pagar ao SIRESP o que seria necessário para manter o sistema de substituição das antenas principais, em caso de catástrofe, porque esta empresa é público-privada.

Parece que o Governo não conseguiu tomar as rédeas ao SIRESP, apesar das tentativas. Parece que a Altice não é definitivamente a MEO amiga do Estado que veio a substituir. O interesse público sai asfixiado. O próximo desafio de Costa.

Os professores continuam descontentes mas não é só por causa da falha na contagem do tempo de serviço. Nos últimos anos, a carreira perdeu prestígio, reconhecimento, estatuto social. Falou-se tanto de contas e pouco do que há a fazer para dignificar este tipo de atividade. Falta pouco para serem poucos os que querem ser professores.

E é por isso que o caso do professor Rui Correia, das Caldas da Rainha, que ganhou esta semana a segunda edição do Global Teacher Prize Portugal, deve merecer toda a nossa atenção. Há quem brilhe na sala de aula porque faz brilhar cada um dos alunos.

A polémica à volta de um livro de história de apoio aos alunos do quinto ano é um sinal de que há muitos problemas por resolver nos programas escolares. O estilo serôdio com que se apresenta a história, igual ao adotado no século passado, é de uma enorme irresponsabilidade nos dias que correm.

A educação para as pessoas e em prol do humanismo não pode ser relegada para segundo plano. Uma das razões para o emergir dos movimentos extremistas de direita, que já ameaçam a Europa, prende-se com o esquecimento do que aconteceu. Mais. Se nunca se soube o que se passou nem sequer se pode lembrar.

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