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Flagelo das mortes na estrada e das vítimas de violência doméstica

Até quando? É uma pergunta que se impõe. Até quando, nós, portugueses, vamos continuar a assistir ao assustador número de mortes na estrada e de vítimas de violência doméstica?

Esta terça-feira, 28 de agosto, ampliou as contas. Mais duas mortes na estrada e uma mulher assassinada pelo marido. Só entre ontem e hoje, a sinistralidade rodoviária ceifou sete vidas. Os números falam por si e preocupam.

O dia noticioso abriu de forma trágica. Um assassinato pôs Quiaios, na Figueira da Foz, em alvoroço. Ao início da tarde, em resultado de despistes automóveis, somaram-se outras duas vítimas, ambas masculinas e de 25 anos: um condutor foi encontrado numa ravina, em Vieira do Minho, e outro sucumbiu na 229, na ligação Viseu/Sátão.

Na véspera, segunda-feira, dia 27, a contabilidade tinha sido ainda mais negra, com duas mortes no Montijo (pai e filho de um ano), na sequência da saída da faixa de rodagem, e três vítimas na A1, Mealhada, num acidente a envolver um camião e duas viaturas ligeiras.

Segundo a Autoridade de Segurança Rodoviária, entre janeiro e 21 de agosto morreram 315 pessoas nas estradas nacionais. Ou seja, durante estes oito meses, todos os dias morreu alguém ao volante ou como passageiro. Até quando iremos assistir a esta mortandade, mesmo descontando que no período homólogo, em 2017, houve mais quatro vítimas? Não serve de consolo.

Nos horrores, também a violência doméstica levada ao extremo vai fazendo a atualidade. Saímos da estrada e entramos em casa. O lema "lar doce lar" parece cada vez mais uma coisa do passado. A tiro, na residência familiar, em Quiaios, um marido matou a esposa. O alerta foi dado pela manhã e a ação das autoridades, na busca do atirador, estendeu-se pelo dia fora.

Terá sido a 17.ª vítima este ano. De acordo com o Observatório de Mulheres Assassinadas, OMA, entre 1 de janeiro e 30 de junho tinham-se registado outros 16 casos em Portugal. Ainda segundo a OMA, no ano passado, no mesmo período, foram 12 as mulheres mortas. Olhando para estes números, verifica-se uma escalada da violência. Até quando?