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Arnaut sonhou, a Esquerda dividiu

Arnaut sonhou, a Esquerda dividiu

No rescaldo das comemorações dos 45 anos da Revolução dos Cravos, são os 40 anos do Serviço Nacional de Saúde (SNS) sonhado por António Arnaut que estão a dar mais que falar. A Esquerda está a dividir-se na hora de definir uma nova Lei de Bases que retome os caminhos idealizados pelo fundador, com trocas de acusações entre o PS e o BE, mas com o PCP a procurar passar uma imagem menos de "enfant terrible" e mais de parceiro moderado.

As primeiras votações foram adiadas por iniciativa do PCP no âmbito do grupo de trabalho que se reuniu esta sexta-feira no Parlamento. Ficaram para 3 de maio, uma semana depois. Para o meio da polémica, é chamado o primeiro-ministro, desafiado a colocar ordem na bancada do seu partido por parte do BE, que divulgou os documentos de trabalho para provar que as propostas de alteração dos socialistas não correspondem à versão negociada com a ministra da Saúde.

O BE acusou os socialistas de cederem às pressões dos grandes grupos e do presidente da República. Por sua vez, o PCP, embora acreditando que as negociações possam chegar a bom porto, disse esperar que a divulgação dos documentos por parte do Bloco não sirva de pretexto para o PS promover, com o PSD e com "patrocínio" de Marcelo Rebelo de Sousa, a desvalorização do SNS a caminho da privatização do setor.

O Governo, pela voz de Duarte Cordeiro, disse ainda acreditar num entendimento e explicou que a primeira versão enviada pela ministra foi alterada por falta de consenso político. Além disso, avisou que a escolha é agora entre a atual lei aprovada pelo PSD e pelo CDS e uma nova para reforço do Estado.

A marcar a atualidade está também o número de trabalhadores precários da administração central e do setor empresarial do Estado com luz verde para integração nos quadros. Ultrapassam os 16 mil, tendo sido recusados 6.281 requerimentos, segundo o Ministério do Trabalho.