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Caça ao alojamento

É verão, tempo de férias, mas, na cabeça de muitos, o início do ano letivo é já ali, ao virar da esquina. Falamos dos universitários. Abriu a época de caça ao alojamento. Uma dor de cabeça para as famílias. Os preços são elevados e a oferta não abunda. A ajuda vai surgindo a conta-gotas. O acordo, esta terça-feira, entre a Misericórdia do Porto e o ICBAS é de saudar e deve ser replicado.

Na Invicta, a comunidade académica agrega cerca de 70 mil estudantes e, destes, um terço vem de fora do distrito. A procura por uma habitação é enorme. O mercado está fortemente pressionado. A parceria entre a Santa Casa e o Instituto de Ciências Abel Salazar, ICBAS, em que a Misericórdia abre as portas da Residência Barão de Nova Sintra para alojar estudantes do Instituto, é um exemplo a seguir.

O acordo tem como destinatários os alunos mais carenciados e a opção até dispensa justificação. Basta referir que um quarto no centro de Lisboa, onde o problema é agravado, pode custar ao universitário entre 500 a 600 euros por mês! Na Residência Barão de Nova de Sintra, no Bonfim, o preço será bem mais módico: 250 euros mensais.

Fazer uma boa escolha, e acessível à bolsa, seja na capital ou no Porto, é quase como encontrar uma agulha no palheiro. O próprio primeiro-ministro, António Costa, na recente inauguração da residência universitária na Ajuda, considerou o alojamento "uma das maiores barreiras ao acesso ao ensino". E os planos sabem a pouco. Mas pouco é melhor do que nada. Por isso, o Estado e outras entidades, como a Misericórdia, são parceiros desejáveis. Também a autarquia portuense, no Monte Pedral, um antigo quartel libertado ao Exército e onde haverá nova construção, pode ajudar a aliviar a pressão.

Ainda na Invicta, conforme foi lembrado esta terça-feira, persiste o projeto do Bairro Académico. Uma vez mais, a Santa Casa é parte ativa. Próximo da Avenida Fernão de Magalhães, onde está implantada a Universidade Lusíada, serão disponibilizadas 1000 camas. Para alunos e professores. Prevê-se a conclusão em 2021. Surjam mais boas ideias, efetivamente concretizadas, que o país e as famílias agradecem.