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Clássico precoce e talvez decisivo

Clássico precoce e talvez decisivo

Apesar de contar apenas para a terceira jornada do campeonato, o Benfica-F C. Porto de sábado já coloca pressão sobre a equipa portista.

A época ainda agora começou mas o clássico entre águias e dragões, marcado para o próximo sábado no Estádio da Luz, tem mais importância do que o habitual num jogo à terceira jornada. Na perspetiva do F. C. Porto, perder com o grande rival significaria ficar já a seis pontos da liderança do campeonato, uma diferença difícil de recuperar na Liga portuguesa, sobretudo tendo em conta o ritmo vitorioso em que o Benfica entrou desde que passou a ser treinado por Bruno Lage.

Apesar de terem goleado no sábado o Vitória de Setúbal, os portistas ficaram sob pressão logo a partir do momento em que perderam em Barcelos na primeira jornada. Pontuar na Luz é, por isso, quase obrigatório para a equipa de Sérgio Conceição, que dará um verdadeiro, e talvez definitivo, pontapé na crise se vencer no terreno do grande adversário na luta pelo título. Um empate servirá para deixar tudo na mesma e para arrefecer o ânimo benfiquista, em alta após a conquista da Supertaça e dois triunfos seguidos no campeonato, sempre sem sofrer golos e com goleadas à mistura.

Sem o play-off da Champions a atrapalhar a preparação para o clássico, Conceição tem pouca margem de erro. Uma semana sem jogo europeu antes da visita à Luz foi mesmo a única consequência positiva da terrível eliminação da semana passada aos pés do Krasnodar e dá ao treinador dias preciosos para trabalhar um onze que já deixou alguns sinais positivos na segunda jornada do campeonato, com a afirmação de reforços como Zé Luís, Luis Diaz ou Uribe, sem esquecer o guarda-redes Marchesin.

Do lado benfiquista, reina a tranquilidade proporcionada por uma onda de resultados positivos. Lage tem a equipa oleada e apenas o fraco rendimento goleador da dupla de avançados formada por Raúl de Tomás e Seferovic é motivo para alguma preocupação. Até agora, Pizzi e Rafa têm resolvido os problemas no que à finalização diz respeito, mas pode chegar o dia em que isso não acontece. E a visita do F. C. Porto costuma ser tudo menos sinónimo de facilidades para o Benfica.

P.S. Foi estranho ver Vítor Baía a entrevistar Luiz Felipe Scolari no novo canal televisivo da Federação Portuguesa de Futebol. Com muitos sorrisos à mistura, perdeu-se mais uma boa oportunidade, eventualmente a melhor de todas, para perceber o que levou, de facto, o ex-selecionador a não convocar o ex-guarda-redes para o Euro 2004, quando este era o melhor da Europa. É um facto que já passaram 15 anos e que muita água passou entretanto debaixo das pontes, mas Baía continua a ser Baía e Scolari será sempre Scolari. Ou não?