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Dos "sprints" à verdadeira maratona

Dos "sprints" à verdadeira maratona

A última sexta-feira de trabalho antes das férias dos senhores deputados e das senhoras deputadas encerrou também os trabalhos de plenário da nossa muito lusitana geringonça.

Este "sprint" final (sim, porque um dia de trabalho de cinco horas a levantar o dedo ou a manter a mão debaixo do queixo estará longe de ser uma maratona) permitiu aprovar leis há muito debatidas e que há muito podia (e deviam) ter sido aprovadas, desde a Lei de Bases da Saúde ao fim dos sacos de plástico para a fruta.

[A propósito dos sacos de plástico para a fruta, não posso deixar de recordar quão benéfica foi a taxa sobre os sacos de plástico leves nos super e hipermercados, há uns anos. Estes deixaram de gastar dinheiro com os sacos e passaram a cobrar 10 cêntimos (o mesmo que a taxa) pelos sacos menos finos que, antes, custavam 4 cêntimos. Vamos ver o negócio que nascerá, agora, da fruta... a propósito, sabiam que a maioria do plástico que polui os oceanos resulta, não das palhinhas, mas da pesca?]

[E por falar em coisas atrasadas, recordo-me que não passou muito tempo, depois de toda a gente começar a ter telemóveis, há uns 20 anos, até ser decretada multa para quem conduz a falar sem um sistema de mãos-livres. Isto vem a propósito da "nova" multa para os fumadores que atirarem beatas para o chão e para os estabelecimentos que não disponibilizem cinzeiro. Calma, que ninguém vai falir por causa disso - vai haver uns apoios para essas empresas adquirirem cinzeiros. Quem paga? Desconfio que terão financiamento no aumento da multa para quem falar ao telemóvel a conduzir. Mas nunca houve apoios para adquirir kits mãos-livres. Fica a dica. E o financiamento pode vir de uma nova multa para quem arrasta malas com rodinhas pelas cidades de madrugada.]

Bem, enquanto meio Portugal se prepara para fazer as malas e ir de férias [entre políticos, lobistas, fornecedores e prestadores de serviços e respetivas famílias e dependentes económicos], há que relativizar os ziguezagues do país sobre o que é prioritário e o que dá "likes" e aproveitar o descanso dos emails frenéticos e das redes sociais para refletir sobre o que é realmente importante.

Vamos precisar desse exercício de silêncio para avaliar a pré-pré-campanha eleitoral que já anda por aí e para preparar a maratona de discursos, debates, notícias verdadeiras e notícias menos verdadeiras que apelarão ao mais profundo clubismo lusitano e decidirão a próxima geringonça (ou não) a 6 de outubro.