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Droga de vida

Droga de vida. Esta terça-feira, de manhã, ao tomar conhecimento da notícia, a população em geral, sobretudo a portuense, sentiu um travo a vitória: uma megaoperação da PSP entrava, por fim, no mundo da droga. Terá sido sentida como o triunfo das forças do bem sobre os agentes do mal, num universo que dá a ganhar a alguns e estraga a existência a muita gente. Droga de vida, portanto.

A ação era imperiosa e reclamada há muito. O presidente da Câmara, Rui Moreira, tinha encostado o Ministério da Administração às cordas. Os relatos, escritos e televisionados, sucediam-se. O tráfico fazia-se às claras e os moradores dos bairros, em surdina, com medo de represálias, aumentavam a fervura desta "panela de pressão". Mais tarde ou mais cedo, uma intervenção policial, fosse ela mega ou outra coisa qualquer, teria que eclodir.

Aconteceu esta terça-feira, ao nascer do dia. Sem surpresa, quanto aos locais visados. Eles andavam nas bocas do mundo. A saber: Pasteleira, Pasteleira Nova, Pinheiro Torres e Aldoar. Uma investida musculada, pelo menos nos números, com 150 agentes no terreno. Nestas situações, os resultados valem o que valem, mas aparentemente são expressivos: nove detidos, quantias em dinheiro e armas apreendidas, e, claro, droga. De vários tipos. Heroína, cocaína, liamba, haxixe...

A PSP deixou bem claro que a entrada nas casas foi o corolário de meses de investigação. Em julho, os deputados do CDS/PP no Parlamento, eleitos pelo círculo do Porto, tinham questionado o Governo sobre o reforço da segurança na zona envolvente às torres do Aleixo, entretanto desmanteladas. E agora, após o efetivo avanço das forças policiais, o que há a esperar?

Desde logo, foi dado o aviso à navegação. Aos infratores. Não se sabendo, até, se outras iniciativas estarão na forja. A Câmara do Porto, pela sua parte, reiterou que continuará firme no despejo de inquilinos de habitações sociais que venham a ser condenados, em primeira instância, pela prática de tráfico de droga nessas residências. A sociedade em geral, principalmente quem mora naqueles bairros e não faz dos estupefacientes atividade profissional, espera proteção. Pedem eles e pedimos todos. Porque ver vidas humanas transformadas num farrapo é algo que não faz sentido.