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Entre a festa e a devoção

Entre a festa e a devoção

Enquanto os estudantes do Porto desfilam pelas ruas a celebrar a sua festa (à semelhança do que os de Coimbra já fizeram e vão continuar a fazer, agora mais pelas noites), os primeiros peregrinos vão saindo de suas casas em direção a Fátima.

Maio é o mês das festas académicas e esta terça-feira é o Porto que vive o seu Cortejo. São cerca de 50 mil os estudantes que desfilam do Jardim da Cordoaria até à Avenida dos Aliados, dois dias depois de os cerca de 20 mil estudantes de Coimbra o terem feito. Uma festa que o JN tem acompanhado em direto ao longo do dia.

Mas não se pense que o momento de festa leva os estudantes do Porto a esquecer os problemas do dia-a-dia. As rendas cada vez mais altas, a falta de alojamento académico e uma cidade cada vez mais virada para o turismo são preocupações que os alunos levam esta terça-feira para o desfile académico, como conta a Marisa Silva na edição impressa do JN esta terça-feira.

Os protestos dos estudantes, no seu dia de festa, acontecem ao mesmo tempo em que um estudo revela uma elevada concentração de alojamento local na Baixa do Porto. O documento, realizado pela Universidade Católica, foi apresentado esta terça-feira em reunião do executivo camarário.

A edição online do JN desta terça-feira mostra também que nem todos os estudantes estão em festa. Os da Escola Oliveira Júnior, em São João da Madeira, estão preocupados com a falta de condições do estabelecimento e mostraram-no num protesto. A falta de assistentes operacionais, de higiene e de vigilância dos alunos levou às críticas da comunidade escolar, mostradas num trabalho do Salomão Rodrigues.

Á medida que nos aproximamos do 13 de maio, são cada vez mais as notícias sobre a caminhada dos peregrinos, de vários pontos do país, até Fátima. Fernanda Pinto dá conta do trabalho de um grupo de voluntários, para garantir que os mais de 400 peregrinos que partiram esta segunda-feira de Paredes chegue ao destino em segurança.

E como falamos em devoção, nada melhor do que terminar este texto com o que muitos consideram um milagre: Salvador, que nasceu de uma mãe em morte cerebral, teve alta e vai conhecer a sua casa, mais de um mês depois de ter vindo ao mundo.