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Entre touradas à Esquerda e à Direita, só a genuína se vai manter

Entre touradas à Esquerda e à Direita, só a genuína se vai manter

A um ano de duas idas às urnas - Europeias e Legislativas - a solução governativa encontrada em 2015 mostra que a cola que a une pode agora começar a dar de si com o calor que aí vem. Com a discussão do Orçamento do Estado a iniciar-se, há uma mão cheia de temas quentes que serão um duro teste ao jogo de cintura de António Costa. O desaguisado visível esta sexta-feira no Parlamento, com o chumbo pelos socialistas de propostas do BE, PCP e PEV e oadiamento da iniciativa do Governo sobre leis laborais, parece ser um desses casos. O PCP até decidiu provocar Costa, comparando-o ao "Padrinho" dos filmes de Coppola.

A braços com divisões internas na bancada parlamentar, que não ficaram saradas com a eleição de Fernando Negrão como líder, o PSD já mostrou que vai explorar ao máximo os desencontros à Esquerda neste último ano de mandato de Costa. Há várias semanas que Rui Rio deu esse tom. Mas nem toda a estratégia do presidente do PSD parece ser do agrado da bancada - principalmente de "passistas", que criticam a hibridez com que Rio se refere à posição do partido em relação ao Orçamento do Estado de 2019. Aprova ou não aprova? Até porque Passos, assim que caiu, resolveu logo esse assunto: prometeu que jamais aprovaria um OE a Costa. E assim foi.

Esta sexta-feira, ficou a saber-se que um dos pais da Democracia pode rumar ao Panteão Nacional. É essa a intenção de PS e PSD. Por lei, Mário Soares só deveria juntar-se aos ilustres da pátria dentro de 20 anos. Mas exceções não faltam: Eusébio levou um ano e meio, entre a sua morte e a trasladação do corpo. O ex-presidente da República morreu em janeiro de 2017 e há vontade de lhe prestar essa homenagem.

A presidência de Barack Obama foi vista como uma pedrada no charco nos EUA - principalmente se a compararmos com a do seu sucessor. Mas o primeiro presidente negro norte-americano em nada se distancia dos seus antecessores: com uma pensão vitalícia de cerca de 180 mil euros anuais e o direito a quase ao dobro para funcionários pessoais, dedica-se a percorrer o mundo em palestras. Esta sexta-feira, esteve no Porto e não deixou de apontar baterias a Trump sobre políticas de alterações climáticas da América. Antes de aterrar na Invicta, passou por Espanha, para, com um aperto de mão, dar força à gerigonça de Pedro Sanchéz. Costa já teve direito ao seu, em 2016, num encontro da NATO.

Após alguns projetos de lei do BE e do PEV no passado, para se limitar o financiamento público à atividade taurina ou restringir a transmissão televisiva das touradas, o único deputado do PAN levou o Parlamento a confrontar-se com uma questão: deve ou não Portugal manter esta atividade, considerada um espetáculo por uns e uma barbárie por outros?

Como era esperado, a iniciativa foi chumbada e esteve longe de criar uma divisão tão grande nas bancadas, como em 2002, quando o CDS e o PCP se uniram para criar um regime de exceção para os touros de morte de Barrancos - quanta polémica e tantas reportagens na altura sobre aquele município do profundo Alentejo! Apesar do apoio do BE e do PEV, o projeto do PAN foi chumbado pelas restantes bancadas.

Oito deputados socialistas e um social-democrata votaram favoravelmente. É verdade que o setor tauromáquico movimenta muitos milhões de euros e é um grande empregador, principalmente num interior com dificuldade em fixar gente. Também não é menos verdade que, desde meados do século XVI, quando a maioria da Europa a travou, que se trata de uma atividade geograficamente circunscrita no mapa mundial a pouco mais do que a Ibéria e a América Latina. O PAN pode ter aberto a "caixa de Pandora", até porque o BE tem projetos semelhantes para irem a votos na próxima sessão legislativa.

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