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Haja boa vontade e competência. E necessidade

Haja boa vontade e competência. E necessidade

A notícia do dia vai figurar nos manuais da História de Portugal.

Pela primeira vez desde sempre e já várias décadas após a introdução dos computadores no dia-a-dia das empresas e, finalmente, na Administração do Estado, as listas de colocação de professores saíram um mês antes do início do ano letivo.

Não foi milagre informático, até porque os computadores do Estado estão lentos, desatualizados e nem deixam trabalhar, como já se têm queixado os trabalhadores do Registos e Notariado, que, num "gesto de boa fé, hoje suspenderam a greve a partir do momento em que o Governo disse, aos motoristas de matérias perigosas, que a obrigação do Estado é conciliar e negociar.

António Costa disse que "a esperança é a última coisa a morrer" e os sindicatos dispensaram as malfadadas greves, assim só, sem intervenção de Nossa Senhora de Fátima.

Este ano, aliás, os devotos poderão ter menos necessidade de invocar poderes alternativos para resolver questões terrenas, excetuando-se porventura quem não conseguiu ainda convencer o eleitorado com inaugurações e discursos mais ou menos inocentes.

Voltando ao milagre, pela primeira vez na História de Portugal, além de os professores não terem sido informados apenas a uma sexta-feira em que escola a centenas (se não milhares) de quilómetros onde teriam de estar a lecionar a partir da segunda-feira seguinte, neste dia histórico a maioria (13 mil de 24 mil colocados) foi colocada na escola que escolheu.

Afinal é possível - haja vontade e competência, sublinha o presidente da Confederação Nacional de Pais, e necessidade, parece-me - fazer funcionar um setor do país que afeta famílias, consequentemente a sociedade em geral, e não é milagre. É eleitoralismo, acusa a Fenprof.

Em 2020 se saberá a verdade, reposta a normalidade da fé, da competência e da boa vontade.