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Inglaterra é tão longe

A milhas do ambiente tóxico que se vive no futebol português, a Premier League conquista a Europa e o domínio veio para ficar.

Enquanto em Portugal se discutem penáltis, foras de jogo escandalosos e as diatribes do VAR, no meio de uma guerra entre Benfica e F. C. Porto que não tem fim à vista, sem que ninguém se possa admirar de haver árbitros agredidos a soco, em jogos de infantis ou dos distritais, em Inglaterra desfruta-se do melhor futebol do Mundo.

Na mesma semana em que o Manchester City, pela mão de Guardiola, se sagrou vencedor da Premier League, após um mano a mano histórico com o Liverpool que durou até à última jornada, os "reds" e o Tottenham qualificaram-se para a final da Liga dos Campeões, um dia antes de Arsenal e Chelsea se terem apurado para a final da Liga Europa. Só o Manchester United está na mó de baixo, mas não muito, ou não tivesse sido considerado o clube mais rico do Mundo no ano passado.

O plano inglês é simples e tem a força das libras por trás. Atrair os melhores jogadores e treinadores do globo foi o primeiro passo, dado à custa de um contrato de venda de direitos televisivos assinado em 2015 que, na época passada, permitiu distribuir 2,7 mil milhões de euros pelos 20 clubes do campeonato. O último classificado, o West Bromwich, desceu ao segundo escalão e mesmo assim encaixou quase 110 milhões, almofada mais do que suficiente para este ano estar em vias de subir outra vez.

O cenário, inédito, de haver quatro clubes da Premier League a disputar as finais das duas competições europeias de clubes não pode surpreender ninguém. E o sucesso das seleções inglesas, que dão cartas nos escalões jovens e ao nível sénior, também não. Com Cristiano Ronaldo e Messi a caminho do final das carreiras, adivinham-se anos de hegemonia inglesa no futebol europeu, por muito que Barcelona, Real Madrid, Bayern, Juventus e PSG tenham sempre uma palavra a dizer e fenómenos como o do Ajax possam acontecer de longe a longe.

Enquanto isto, em Portugal, as maiores figuras do campeonato serão sempre os Hugos Miguéis, os Joões Pinheiros e os Fábios Veríssimos desta vida. Ganhe o Benfica, como vai acontecer este ano, ou o F. C. Porto, como sucedeu no ano passado. Ou até o Sporting, se os planetas se alinharem.