Newsletter Editorial

O inimigo comum dos candidatos

O inimigo comum dos candidatos

A campanha termina hoje e os candidatos já estão em contagem decrescente para a contagem dos votos no domingo. Depois de quilómetros percorridos em campanha, o maior temor é a subida da abstenção.

As europeias são por tradição as eleições com abstenção mais alta (em 2014 abdicaram de votar 66,3% dos eleitores). O tema pairou como um papão na campanha. À Esquerda e Direita ouviram-se apelos ao voto. Os socialistas, à frente em todas as sondagens, não esconderam o temor do efeito da desmobilização e fizeram da abstenção o maior inimigo, ainda por cima, em dia de calor, mais convidativo para banhos na praia. Assunção Cristas chegou mesmo a apelar aos militantes que não se esquecessem de levar amigos, vizinhos e até a tia idosa a votar.

"Não se ganham eleições nas sondagens. As eleições ganham-se nas urnas", frisou ontem António Costa. O cabeça de lista socialista, Pedro Marques, durante a campanha, chegou a eleger a abstenção "como o principal inimigo".

Num país onde 69% não sabe o nome de um único eurodeputado português (resultado de uma sondagem feita pelo ISCTE/ ICS para a Sic e Expresso), até o presidente da República alertou, esta semana, que seria "traumatizante" uma participação abaixo dos 30%. "Seria um mau sinal para a democracia", frisou Marcelo Rebelo de Sousa, que receia que o acréscimo de quase 1,2 milhões de eleitores, inscritos no estrangeiro, aumente ainda mais a abstenção no domingo.

"Precisamos da ajuda de todos. Peço a todos e a cada um de vós que no domingo não vá apenas votar. Telefone à família, aos amigos, vizinho do lado, ofereça-se para levar as pessoas a votar, aquela tia mais idosa", apelou Assunção Cristas aos militantes. Esta sexta-feira, à tarde, no Twitter, a líder do CDS repetiu o apelo ao voto. "Votar é preservar a democracia e honrar todos os que lutaram para que o pudéssemos fazer", escreveu.

Rui Rio também escreveu hoje no Twitter mas para ironizar contra as sondagens que dão sempre a derrota do PSD.

"Ainda não há nenhuma sondagem para o Futebol Clube do Porto-Sporting de amanhã?", escreveu Rio. Contra a abstenção, o líder do PSD fez um forte apelo ao voto. Paulo Rangel, cabeça de lista, chegou a apelar à participação dos eleitores em português, espanhol e francês.

À Esquerda, Catarina e Marisa também apelaram ao combate contra a abstenção. A eurodeputada, cabeça de lista, pelo BE manifestou compreender "o desânimo das pessoas em relação à União Europeia", que se transformou "numa confusão e não lhes respondeu aos problemas concretos", gerando uma "sensação de abandono".

Jerónimo de Sousa manifestou ser o menos temeroso com a abstenção.