Newsletter Editorial

O mundo num folhetim

1 - A primeira coisa era travar a vitória dos eurocéticos e das extremas-direitas. Parece ter sido conseguida. Ainda que, somados, os diferentes grupos radicais se tenham tornado na terceira força política do Parlamento Europeu. Resta à União Europeia mostrar que é capaz de entender-se para que esse travão se mantenha. Ora, a escolha do futuro presidente da Comissão, cargo mais importante no aparelho europeu, parece apontar pouco para esse necessário entendimento. A ver vamos.

2 - Jonas Savimbi morreu em 2002, em combate, e ficou onde foi apanhado, preso à condição de cadáver. Dezassete anos depois, o novo poder angolano, acordou dar dignidade ao fundador do maior partido da oposição, a UNITA, e entregar as suas ossadas à família para que lhe faça o funeral a que todo o cidadão tem direito. A trasladação foi acertada pelo Governo do MPLA com a direção da UNITA e com a família. Sucede que parece haver dois programas de festas. O Governo garante que cumpriu o que acordou: aerotransportou com pompa os restos mortais de Savimbi do Luena, no Moxico, para o Andulo, no Bié, e depositou-os numa base militar, a 30 km do Lopitanga, onde deve ser inumado junto dos pais. Ora, a UNITA programara homenagem na capital da província, no Cuíto, e foi para lá que se despachou, com família e jornalistas. Debalde. Agora, acusam-se ambos de estar a tergiversar, naquele que é um assunto que deveria ser de unidade nacional. O funeral está marcado para sábado. A ver vamos.

3 - O primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, tem até às 24 horas de hoje para apresentar ao presidente um Governo de coligação. Venceu as eleições de 9 de abril com largueza, mas sem maioria. Ora, só conseguirá governar - e, tentará certamente, alterar as leis da imunidade para afastar os processos por corrupção que lhe pendem sobre a cabeça - com a ajuda da extrema-direita laica e dos judeus ultra-ortodoxos. Sucede que uns querem acabar com privilégios decorrentes da fé exacerbada e outros não abdicam deles. à hora em que se redigem estas linhas, estava tudo em águas de bacalhau. Cenas dos próximos episódios: Netanyahu consegue e o mundo prossegue como está; Netanyahu falha e há novas eleições, num país que é tragicamente um fiel na desequilibrada balança da geoestratégia do Médio Oriente, arrastando incertezas; Netanyahu falha e o presidente pede a outro que governe. "De repente, ainda que só brevemente, podemos fantasiar sobre um Israel pós-Netanyahu", escreve o "Haaretz"...

4 - O mundo está entregue aos folhetins