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O novo ano letivo é um terramoto na vida dos professores

O novo ano letivo é um terramoto na vida dos professores

O Norte e Centro acordaram com um sismo de magnitude 4,6 na escala de Richter, no dia em que milhares de professores tiveram de se apresentar nas novas escolas, alguns deles a centenas de quilómetros de casa. É um terramoto com que contam todos os anos, e que causa danos bem mais sérios que os que foram sentidos às 7 horas da manhã desta terça-feira, de Viana do Castelo a Leiria.

A edição impressa de hoje mostra-nos as histórias dos professores Pedro Lourenço e Carla Afonso, contadas pelos próprios às jornalistas Catarina Silva e Glória Lopes. Ambos vão dar aulas a 500 quilómetros de casa, tiveram menos de três dias para prepararem tudo e, no caso dela, deixa um filho com 11 anos ao cuidado do marido.

Só os 11 meses que restam até ao final do ano letivo vão expor a magnitude deste terramoto nas vidas de Pedro e Carla. Nos próximos dias vão-se multiplicar mais exemplos destes com as segundas e terceiras fases de recrutamento. Mais professores do Norte vão para o Sul e mais professores do Sul rumam a Norte para dar aulas. Alguns ficam "doentes" ou têm algum parente "doente" para pedirem mobilidade para perto de casa. Porque é que é assim?

Não estou a pôr em causa critérios, celeridade, seleção das listas ou número de vagas. É imperioso, contudo, que quem manda consiga esclarecer a situação às dezenas que são influenciados por cada professor que vai dar aulas a 500 quilómetros de casa. E esta explicação nunca chegou, para indignação dos que têm de conviver todos os anos com isto.

Por falar em indignação, a ira popular decorrente do atropelamento de uma criança de quatro anos numa ciclovia de Espinho levou a Câmara a proibir a circulação de scooters naquelas pistas. A circulação anárquica daqueles veículos nas ciclovias, pondo em causa a segurança dos peões, foi o mote certo para a indignação levar quem manda a atuar. Ainda que a lei, que não é clara, possa abrir a porta à circulação destes veículos em ciclovias.

Realce, ainda, para o empréstimo que a Câmara de Braga vai contrair para recuperar o antigo cinema São Geraldo, Pousada da Juventude, praias, escolas e acessos. Sim, Braga não tem Pousada da Juventude a funcionar e um dos espaços culturais mais emblemáticos continua ao abandono. A medida chega tarde (por culpa deste e de outros executivos camarários), mas chega. E isso é assinalável.

Há que relevar, ainda, que parece ter sido quebrada a tradição de ver, no início de setembro, trabalhadores à porta das fábricas no regresso das férias de agosto. Na edição de hoje, a primeira com notícias relativas ao primeiro dia útil do mês, não vemos nas secções "Porto" e "Norte/Sul" qualquer referência trabalhadores que ficaram à porta da fábrica vazia no regresso ao trabalho. Não é porque não estivemos atentos, é mesmo porque não aconteceu. E isso é assinalável, sobretudo para quem, como eu, no vale do Ave, se habituou a assistir ao infeliz espetáculo que é o esvaziamento e falência de fábricas no mês de setembro.

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