Newsletter Editorial

O poder da palavra e o poder das ações

O poder da palavra e o poder das ações

Leonor foi a melhor caloira deste ano da Universidade do Porto. Com 20 valores de média, diz que escolheu o curso de Direito devido ao "poder da palavra". Mas, afinal, tem mais força o poder da palavra ou o poder das ações? A resposta, provavelmente, nunca será consensual nem unânime. E num dia marcado, a nível noticioso, pelo início do ano letivo, por pequenos incêndios ou pela ameaça de o furacão Helene poder atingir os Açores no próximo fim de semana, destaca-se precisamente, no site do Jornal de Notícias, um artigo que coloca em causa as acções de três médicos e de uma enfermeira. Foram acusados de homicidio por negligência.

Leonor Castro, de 17 anos, entrou na primeira opção, no concurso de acesso ao Ensino Superior. É ela a melhor caloira deste ano da Universidade do Porto, com um feito que parece inalcançável aos comuns mortais: uma média de 20 valores. A história de Leonor, contada hoje pelo JN, inspirou muitos dos que a leram ao longo do dia, quer na edição impressa, quer no site. Ao mesmo tempo, na primeira página de hoje, destacámos a realidade penosa para muitas famílias portuguesas, nesta época de regresso às aulas. Sabe-se agora, ao certo, que ao longo dos 12 anos de escolaridade obrigatória, os pais podem gastar até 2350 euros, só com a aquisição de manuais e de cadernos de atividades para cada filho. Fora os gastos dos que optam depois pelo ingresso na universidade.

No que aos incidentes diários diz respeito, esta terça-feira ficou marcada pela morte de um homem, de 76 anos, quando a motorizada que conduzia colidiu com um veículo ligeiro, numa estrada secundária, na União de Freguesias de São Julião e Silva, em Valença. E, num dia de calor em todo o território nacional, voltaram a registar-se incêndios, quer urbanos, quer florestais. Uma mulher sofreu ferimentos num incêndio no anexo de casa, em Famalicão, e três pessoas ficaram desalojadas, na sequência de um fogo habitacional, em Fafe. Já em Santarém, três bombeiros ficaram feridos quando combatiam as chamas, que também lavraram em mato mais a norte, em Oliveira do Bairro.

Na justiça, o destaque vai para o julgamento de três médicos e de uma enfermeira, acusados de homicídio por negligência, que era para ter começado ontem mas foi adiado. Em causa está o óbito de um homem, de 32 anos, em 2010, pouco depois de ter sido operado no Hospital da Ordem de São Francisco, no Porto.

Amanhã o calor vai continuar. E será assim, diz a meteorologia, até ao fim de semana, pelo menos. Os Açores, no entanto, podem vir a ser afetados pela passagem do furacão Helene. Pelo continente, quem ainda está de férias pode optar por agir em jeito de verão: tomar banhos de sol na praia. É que essa ação, pelo menos, ainda tem um poder revigorante. Sem culpas.

ver mais vídeos