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O que andará a fazer o urso?

O que andará a fazer o urso?

O que andará a fazer o urso que veio visitar o Parque Natural de Montesinho? Vá lá, quantas vezes já se fez esta pergunta? Dava jeito ser mosca para ir ver em segurança. Já não digo abelha, porque às tantas dava-se o caso de estarmos na colmeia errada quando o nosso "Winnie the Pooh" fosse merendar. Ainda levávamos uma patada...

O facto é que, não fosse Joe Berardo pelas piores razões, o "nosso" urso-pardo seria, pelas melhores, a figura da semana passada com extensão para a que corre. E isto sem ninguém o ter visto. Imagine se alguém o visse! Certo é que o Instituto da Conservação da Natureza e Florestas confirmou, através de indícios validados, que está cá, na zona de Bragança, ou que esteve. E que pode voltar e tornar a ir.

Mas bastou, dizia, o "rapaz" (sim, por que se trata de um jovem macho) ter vindo ver a paisagem e provar o mel bragançano para logo fervilhar nas redes sociais e nas caixas de comentários dos órgãos de comunicação um sem fim de insultos. Os mais deles destinados à classe política nacional. E aproveitando-se quase sempre da designação do pobre animal. Só faltava agora refinar a coisa e usar o nome científico urso-arctos.

Quando eu andava na escola não havia como endereçar insultos a coberto do anonimato e atrás de um computador ou telemóvel. Por isso, insultava-se na cara e sofriam-se as consequências. Hoje, é à distância.

Pois é, os tempos mudaram. E de que maneira! A minha avó dizia que "em maio comem-se as cerejas ao borralho". Ditado herdado e transmitido, por mor de não se perder. Desatualizado por estes dias, em que andamos contentes da vida, de manga curta, a comer gelados, os que podem a tostar as carnes na praia. As cerejas acenam-nos aos magotes nas árvores que as carregam. Como escreve hoje a Célia Domingues, a Sandra Ferreira, a Glória Lopes e a Sandra Borges, no JN impresso e na edição online, vai haver mais 40% que o ano passado, embora a quantidade deva fazer cair os preços. Não se pode ter tudo. Mas isto se não houver azar, pois tem-se visto que o bom tempo é quase como o "nosso" urso, que tanto vai como vem e sem avisar.

Por falar em avisar, parece que de pouco adiantam os alertas e as ações de sensibilização. As autoridades bem têm dito e repetido que o tempo é de verão, mas o mar ainda é de inverno. É preciso ter cuidado com as idas ao mar. Valeram os surfistas a três pessoas que por pouco não se afogaram, esta tarde, nas praias de S. Pedro de Moel, na Marinha Grande, e da Polvoeira, em Alcobaça, no distrito de Leiria.

Repito. Por falar em avisar, parece que pouco adianta. Continua a haver acidentes com tratores agrícolas e com fartura. Muitos deles com vítimas mortais (ontem um homem de 65 anos em Penhalonga, no Marco de Canaveses e, anteontem, um indivíduo de 72 anos, em Ponte Nova, Fafe). Ambos em campos agrícolas, tal como os dois feridos graves de hoje: Um jovem de 24 anos ao volante de um trator na aldeia de Ligares, no concelho de Freixo de Espada à Cinta, e um homem com 45 anos que foi atropelado pela própria máquina num terreno da sua habitação em Santa Marta de Portuzelo, Viana do Castelo.

Mais colorida tem sido a polémica pela capital. De domingo para segunda-feira, a Junta de Freguesia de Campolide pintou duas passadeiras de peões com as cores da causa LGBTI (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transexuais, Transgéneros e Intersexo), anunciando a intenção de pintar mais três. Mas correu mal. Como escreve a Leonor Paiva Watson, a Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária recomendou hoje a remoção das duas passadeiras tipo arco-íris, porque se encontram em desconformidade com o Regulamento de Sinalização do Trânsito. Ou seja, os sinais "não podem ser acompanhados de motivos decorativos nem de objetos que possam prejudicar a sua visibilidade ou reconhecimento, ou ainda perturbar a atenção do condutor".

Portanto, as passadeiras daquela zona de Lisboa vão continuar a ser brancas. Tal como o "nosso" urso-pardo vai continuar a ser castanho-escuro. Pelos menos, assim o imaginamos. Até que alguém o veja.

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