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Ópera, electrónica ou tango?

Ópera, electrónica ou tango?

Não é comum haver ópera no Porto. O Teatro Nacional de São Carlos passou mais de três décadas sem apresentar ópera fora de Lisboa. O longo jejum foi quebrado há dois anos, muito por vontade de Eduardo Paz Barroso, que ao assumir o leme do Coliseu do Porto assumiu também que devolveria a ópera à cidade. E assim foi. Já por ali passaram Puccini e Verdi. E amanhã chega Wagner.

Richard Wagner (1913-1883) é mais importante na nossa vida do que porventura imaginamos. Uma fatia do nosso imaginário está, tenhamos disso consciência ou não, pendurada nos libretos assinados pelo compositor alemão. E uma substancial fatia das bandas sonoras criadas para o cinema de Hollywood, ao qual ninguém escapa, nem que queira, "nunca teria existido se não tivesse existido Wagner", conta, ao JN (amanhã, na edição em papel), o maestro e diretor musical do espetáculo Graeme Jenkins.

Numa altura em que precisamos tanto de (ser) heróis, o Coliseu apresenta assim a história do jovem "Parsifal". A ópera que Wagner demorou mais de vinte anos a concluir estreou em Beirute em 1982 (há 137 anos, portanto) e não houve outra depois dessa. O compositor morreria sete meses depois. Com propriedade, "Parsifal" chega-nos em plena quaresma, talvez para nos lembrar que, por muito longa que seja a viagem (também a interior, ou sobretudo essa) é sempre possível recuperar a esperança. E a fé.

"Quando saí do Teatro, incapaz de dizer uma só palavra, soube que acabara de experimentar a suprema grandeza e o supremo sofrimento", escreveu então o compositor austríaco Gustav Mahler no seu diário. Se quer ter a mesma experiência, "Parsifal" está amamhã, às 21 horas, no Coliseu do Porto; e segunda-feira, no Teatro Nacional São Carlos, em Lisboa.

Mas se ainda não é desta vez que consegue render-se a espetáculos com centenas de artistas em palco, então comece a guardar lugar para outubro. O musical "O Fantasma da Ópera", que anda a seduzir o mundo há 30 anos, chega pela primeira vez a Portugal - e ao Coliseu do Porto - no outono.

Toda a gente devia ir à opera, pelo menos uma vez na vida. Mas a música não é uma regra de exclusão, é um músculo de inclusão. Por isso, se ainda tem dificuldade em digerir o desaparecimento do DJ e produtor sueco Avicii, junte-se à homenagem que vai acontecer no Porto a 4 de maio, na Kasa da praia.

E se não resiste ao jazz e ao tango de Piazzola, não deixe de ver o documentário de Daniel Rosenfeld, "Piazzola, os anos do Tubarão", sobre o grande compositor e bandoneonista italiano. O filme foi quase todo feito a partir de materiais inéditos e está em exibição no Teatro do Campo Alegre, no Porto, até dia 17 deste mês.

Tenha um bom fim de semana.

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