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Quem mata quem?

Ponto final em mais uma edição da Liga. Tudo espremido, houve o barulho do costume e os três grandes a manterem-se no pódio, tendo as equipas do Minho completado o top-5. Triste fim para o Chaves, que, três anos depois, baixou ao segundo escalão.

Emocionalmente, a coisa até durou até à última jornada, é um dado adquirido, mas, por outro lado, este campeonato foi igual a tantos outros e mostra que a luta pelo título está reservada a dois clubes, Benfica e F. C. Porto, com o Sporting a manter-se num degrau abaixo. O Braga segue logo atrás e o Vitória de Guimarães, apesar de todas as intermitências, lá agarrou o quinto lugar, face à vitória no dérbi com o Moreirense, que, verdade seja dita, foi dos poucos a animar a Liga.

Com mais grito ou menos grito, polémica e espingardas apontadas à arbitragem, a lei do mais forte voltou a imperar e os detalhes fizeram (ou não) a diferença. Depende da abordagem e da camisola de cada um.

Na final pela sobrevivência, a fava sobrou para o Chaves, que acabou a época sob o comando de José Mota. Por esta altura, na época transata, o experiente treinador estava a festejar a conquista da Taça de Portugal ao leme do Aves, após a final com o Sporting. Agora, vive o outro lado da bola. Contrastes que fazem parte do desporto rei.

Os flavienses choraram a descida e assistiram à salvação do Tondela, que já está vacinado a situações aflitivas. Nos últimos quatro anos, foi a terceira vez que o clube beirão carimbou a permanência no último assalto. "Peanuts", portanto, para as gentes de Tondela e para Pepa, técnico que conseguiu manter a confiança da Direção e cumpriu o objetivo. E, no fim do dia, isso é que conta.

Tomané, um dos heróis tondelenses, colocou o dedo na ferida e disse que a permanência era só de alguns jogadores, não de todos. Uma frase forte, que mereceu a anuência de Cláudio Ramos, o guarda-redes e capitão tondelense, e que abre espaço para interrogação. Mas, afinal, quem mata quem? Ninguém sabe, já diz a música do mal-amado Conan Osíris, um adiantado mental que foi não foi entendido em Tel Avive, na Eurovisão, mas que ficará na memória de todos.

O futebol português também precisava de uns Osíris, gente diferente, que desse uma lufada de ar fresco e fizesse de cada jogo uma festa. Era a melhor forma de terminar a época, no Jamor, no clássico Sporting-F. C. Porto, onde se espera que ganhe o melhor e que o melhor seja o futebol. Pode parecer poético, é verdade, mas quem gosta de futebol pensa mesmo assim.