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Mundial 2018

Um Mundial que é um país sem muros

Um Mundial que é um país sem muros

"Sem as minhas políticas, entrariam milhões de imigrantes nos EUA". A frase foi proferida com orgulho por Donald Trump, num casino em Las Vegas, onde o público repetia o seu nome e lhe pedia, aos gritos: "Construa o muro!".

O discurso entusiasmado do líder republicano surge poucos dias depois de as imagens de crianças separadas dos pais, na fronteira dos EUA com o México, terem corrido mundo, na sequência da política de tolerância zero.

Uma realidade que encontra paralelo na Europa, que deixou uma embarcação com mais de 600 refugiados andar às voltas do Mediterrâneo depois de a Itália ter negado o pedido de ajuda para os receber nos seus portos.

A crescente falta de abertura para com a imigração contrasta com a realidade das equipas que competem no Mundial da Rússia. Dos 736 jogadores que participam na principal prova de futebol do mundo, 82 não nasceram no país que representam. Entre os 32 conjuntos que competem, 22 têm pelo menos um atleta imigrante. Só Marrocos tem 17 e 29 jogadores nascidos em França jogam por outras seleções. Um Mundial recheado de imigrantes que passam pelas televisões todos os dias e são idolatrados em todo o Mundo. Pessoas iguais às que todas as semanas morrem engolidas pelo Mediterrâneo ou acabam perseguidas na fronteira dos EUA.

Portugal também se destaca com nove atletas nascidos fora de portas. Mas o vencedor deste Mundial verdadeiramente global é Adnan Januzaj, da Bélgica. O jogador, que até nasceu em solo belga, poderia atuar pelo Kosovo, Sérvia ou Croácia (pelo lado da mãe), Albânia (onde nasceu o pai), Turquia (local de nascimento dos avós paternos) e Inglaterra (país escolhido para jogar enquanto adolescente).

E, como com o destino não se brinca, é curioso que tanto os EUA como a Itália, pressionados pela comunidade internacional devido às posições assumidas face à imigração, não marcam presença na competição.

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