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Uma polémica nada Petit

Forçar cartões amarelos para falhar jogos escolhidos a dedo é prática comum no campeonato português, mas mancha a competição. A UEFA não o permite na Champions.

"Cada semana tem a sua estratégia para cada jogo. Vamos apanhar uma equipa difícil, o Benfica [...], e por isso quisemos que esses jogadores [os avançados Joel e Edgar Costa] levassem o quinto amarelo, para depois estarem disponíveis para os quatro jogos finais".

Foi assim que Petit, treinador do Marítimo, justificou a decisão de ter mandado dois jogadores forçar cartões no jogo de domingo com o Feirense, quando a equipa do Funchal já ganhava por 2-0. O técnico acrescentou que já tinha feito algo parecido na recente partida com o F. C. Porto, no Dragão, ao não utilizar os mesmos avançados, que ficaram no banco, para não correrem o risco de ver amarelos que os afastassem do dérbi insular com o Nacional.

Os casos não são bem iguais, mas o princípio é o mesmo. No fundo, Petit abdica de dois dos melhores jogadores que tem no plantel maritimista em jogos de baixa probabilidade de êxito. Assumindo-o em público, com a defesa do presidente Carlos Pereira, o treinador aumentou os decibéis da polémica, ou não estivéssemos na fase decisiva da luta pelo título entre Benfica e F. C. Porto, mas, seja qual for o prisma da análise, e a cor clubística de cada um, a situação tem que se lhe diga.

No caso das equipas grandes, forçam-se amarelos para que jogadores importantes limpem as séries de cartões em jogos de menor dificuldade teórica. Aqui, é o contrário. E depois há quem não o faça, como Folha, que tinha várias pedras fulcrais do Portimonense à beira da suspensão, mas não entrou em gestões dessa espécie no jogo com o F. C. Porto e agora terá três ausências de peso no embate da próxima jornada com o Vitória de Setúbal, importante nas contas da fuga à despromoção.

Cada treinador toma as decisões que bem entende, mas este tipo de expedientes desvirtua jogos e, eventualmente, campeonatos. Cabe à Liga ou à Federação Portuguesa de Futebol evitar que isso aconteça. Basta copiar a UEFA, que quando vê um jogador forçar um amarelo para falhar um jogo conveniente, como aconteceu esta época a Corona ou Sérgio Ramos, aplica-lhe duas partidas de suspensão para acabar com a música. O organismo que tutela o futebol europeu toma muitas decisões questionáveis, mas esta é um exemplo a seguir.