Newsletter Editorial

VCI? Ui, já foste!

Quem conduz na VCI, no Porto, a curtir o som "aqui vou eu cheio de pica", como cantam os Peste & Sida? Poucos ou ninguém. O limite de velocidade, 80 km/hora, e os radares também não permitem acelerar, mas o grande travão são os acidentes que deixam o trânsito às pinguinhas, como voltou a acontecer esta terça-feira. A VCI é, por isso, mais um caso de stresse, do que de fruição. Ui...

Esta terça-feira, um camião que transportava plásticos tombou. O condutor sofreu ferimentos ligeiros. Por norma é assim. A frequência dos acidentes é diária, mas muitas vezes é mais "chapa" do que outra coisa. Ficam os estrangulamentos e os atrasos a minarem o sistema nervoso. Com o camião tombado, no sentido Freixo/Arrábida, formaram-se filas a perder de vista. O normal...

Assim como a praga das gaivotas também o para-arranca na VCI dá que pensar a técnicos e estudiosos. Os políticos da Área Metropolitana do Porto protestam contra o poder central, confortavelmente instalado em Lisboa. Clamam por alternativas e por autonomia para tomarem medidas quanto ao trânsito. Mas o tempo vai passando e já se anda nisto há anos...

Entre outros benefícios, o passe social único foi criado para tirar carros da estrada, porém o balanço ainda é tímido. Em Lisboa já foram adiantados números prometedores, mas no caso do Grande Porto ainda não foram anunciadas contas oficiais. Talvez seja prematuro. E para a VCI não é líquido que o passe surta grande efeito, pois a Via de Cintura Interna tem outro tipo de utilizadores. Muitos são de longo curso. Provavelmente, daqui a uns anos, a nova ponte D. António Francisco dos Santos possa dar uma ajuda. Ser um alívio. Provavelmente...

O que há a fazer então? Neste preciso momento, sem qualquer trunfo na manga e com a Cidade Invicta a fortalecer-se como polo de atratividade, seja na população flutuante (leia-se turistas) ou em novos empregos, a principal dica é, mesmo, ter paciência. Ou confiar num golpe de sorte e apanhar uma horinha na VCI sem problemas. Pois, se estiver ao volante e ficar encravado numa fila, porque houve mais um acidente ou é hora de ponta, pouco poderá fazer para evitar aquele zumbido no ouvido com sotaque bem portuense: "Ui, já foste!"