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Isto não é uma festa, nem um "sprint"

Isto não é uma festa, nem um "sprint"

Marta Temido puxou as orelhas, esta sexta-feira, aos infratores da pandemia e anunciou uma reunião entre o Governo e as autarquias com mais novos casos positivos na região de Lisboa para "aprofundamento das medidas de supressão da doença".

O surto de covid-19 que teve origem numa festa ilegal em Lagos com mais de cem pessoas e que já provocou pelo menos 90 infetados é um dos pontos de partida para o endurecer do discurso da ministra da Saúde, que esta sexta-feira, em conferência de imprensa, lembrou que "a violação das regras é crime". Tanto assim pode ser, que o Ministério Público anunciou, entretanto, a abertura de um inquérito à festa para averiguar se houve crime, designadamente de propagação de doença. A Ministra da Justiça, Francisca Van Dunem, solicitou à Procuradoria-Geral da República que atue sobre os promotores da festa de aniversário nas instalações do Clube Desportivo de Odiáxere, para que sejam responsabilizados e paguem indemnizações.

Marta Temido descarta o cenário de cerca sanitária no Algarve, mas responsabiliza cada um pelo comportamento de risco que possa ter. "Não é um cerco sanitário que institui a racionalidade suficiente para as pessoas se absterem de comportamentos que põem em causa a sua própria saúde como das pessoas que lhe estão próximas", sublinhou a governante, considerando que o surto de Lagos é uma situação que "penaliza enormemente" o país.

O Risco de Transmissibilidade (RT) do coronavírus no país teima em não cair e parece que se avizinha um apertar senão das regras pelo menos da vigilância na região de Lisboa e Vale do Tejo, onde o número de novos casos diários ronda as três centenas nos últimos dias, muito acima do resto do país. Esta segunda-feira, haverá novidades. Marta Temido anunciou para esse dia uma reunião com o objetivo de "aprofundamento daquilo que são as medidas de supressão da doença nas áreas com maior incidência", com a presença do primeiro-ministro, do presidente da Área Metropolitana de Lisboa e dos presidentes das autarquias da Amadora, Lisboa, Loures, Odivelas e Sintra, os cinco concelhos da região que mais preocupam as autoridades de saúde.

"Isto é uma maratona não é um sprint", disse Marta Temido. E avisou: "não é possível baixar a guarda e estão redondamente enganados aqueles que pensam que podem regressar às suas vidas na normalidade anterior. (...) não hesitaremos em utilizar as medidas de saúde pública necessárias a que a supressão de doença seja efetivamente adquirida, conquistada para todos e disseminada".

A curva epidemiológica não baixa e isso já está trazer problemas aos portugueses que querem viajar pela Europa, já que há 17 países (14 da UE) a querer proibir ou a limitar a entrada de quem viaja de Portugal. Tal como no inicío da pandemia, cada país parece fazer o que entender e o Ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva, não aprova isso dentro da UE, o que o levou a admitir o direito de pagar na mesma moeda. Mas o sol foi de pouca dura e, esta sexta-feira, o primeiro-ministro, António Costa, já o veio contrariar: "A reação diplomática nacional é feita através dos canais próprios - é isso que temos feito e é isso que iremos continuar a fazer. Não é prática de Portugal fazer retaliações, nem é prática de Portugal ter esse tipo de visão das relações internacionais".

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