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Jesus ganhou novos apóstolos

Jesus ganhou novos apóstolos

O treinador do Flamengo foi a figura do fim de semana e não faltou quem se lhe tenha convertido. No Brasil e em Portugal.

Ganhar a Taça Libertadores num dia e o campeonato brasileiro no seguinte transformou Jorge Jesus no superherói do momento. Cinco meses depois de ter chegado ao Flamengo, no meio de enorme desconfiança dos adeptos e sobretudo da crítica carioca, o treinador português levou o clube do Rio de Janeiro a um feito histórico, interrompendo um jejum de 38 anos sem vitórias na principal competição sul-americana e outro de dez anos sem títulos no Brasileirão. Os torcedores renderam-se, os media locais também e, à distância, vibrou-se imenso em Portugal.

Ano e meio depois de ter saído do Sporting sem glória, para gáudio dos benfiquistas que não lhe perdoaram ter ido para o grande rival lisboeta em 2015, eis que Jesus renasce das cinzas. Não deixou, no entanto, de ser estranho assistir nos últimos dias a uma espécie de unanimidade nacional em torno de um treinador tantas vezes criticado, que teve de rumar ao Brasil para recuperar um estatuto que estava a perder no futebol português, sobretudo desde que deixou o clube da Luz.

Conquistada a América do Sul, JJ já fez questão de não garantir a continuidade no Mengão e esse é um tema que vai certamente estar em cima da mesa depois do Mundial de clubes, que a equipa brasileira vai disputar em meados de dezembro. Treinar um "tubarão" da Europa continua a ser o grande sonho do técnico, mas não é certo que o êxito no Brasil lhe garanta um lugar desse calibre, sobretudo porque em Inglaterra e em Espanha o frenesim mediático à volta deste grande feito não acompanhou, nem por sombras, o que se passou em Portugal desde sábado.

O que é inegável é que, pelo menos no primeiro ano em que pega nas equipas, Jorge Jesus é garantia de bom futebol. Foi assim no Belenenses, no Braga, no Benfica, no Sporting e agora no Flamengo. Como os resultados acompanham as exibições, os jogadores acreditam, transportam para o relvado a ideia de jogo do treinador e potenciam qualidades que antes pareciam escondidas.

Com títulos, Jesus não consegue conter o ego, exagera com frequência no autoelogio e é muitas vezes um desastre à espera de acontecer no contacto com a imprensa, mas é impossível não pensar em como seria aliciante e até divertido vê-lo a treinar um candidato ao título na Liga espanhola ou na Premier League. Talvez já tenha feito o suficiente para merecer uma oportunidade.

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