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Menos 45% de posse de bola

O campeonato parou para não haver desculpas e todos irem às urnas, mas 45.5% dos eleitores preferiram não entrar em campo. São opções, mas quem fica no banco de suplentes limita-se a ver jogar e não decide nada. É quase como oferecer 45% de posse de bola ao adversário. "Peguem lá na bola e venham atrás de mim", é mais ao menos essa a mensagem. Ter mais posse de bola pode não ser decisivo - o Barcelona, de Guardiola, também perdia - mas ajuda a ganhar jogos. Sem bola, é mais difícil marcar golos.

Os números mostraram que 45 em 100 portugueses preferem entregar a bola ao "adversário". Não me parece que seja uma boa estratégia. Se perguntarem a um treinador que vai dar 45% de posse de bola à equipa contrária ele vai torcer o nariz. É quase como dar uma meia parte de avanço. A coisa não costuma dar certo. No futebol, é um "hara-kiri". Na vida, talvez não seja diferente...

Sem bola cá pelo burgo, no que diz respeito às ligas principais, o olhar desviou-se pelos outros campeonatos, onde um dos destaques foi a vitória de Juventus, de Cristiano Ronaldo. O astro português enviou uma bola ao poste, viu um golo anulado, mas celebrou o triunfo, por 2-1, sobre o Inter de Milão, que valeu a liderança do campeonato italiano. Parece fácil.

Na Premier League, o Wolverhampton, de Nuno Espírito Santo e a restante armada lusitana, cometeu a proeza de vencer, 0-2, na casa do campeão Manchester City, de Bernardo Silva e Cancelo. Um resultado que também fez sorrir o Liverpool, agora com oito pontos de vantagem sobre os citizens. Os "reds" estão numa posição privilegiada, mas, na época passada, viveram situação semelhante e deixaram-se ultrapassar. Será que vão cometer o mesmo erro? O City tem agora uma missão bem mais difícil, apesar de estarmos só em outubro...

No outro lado o Atlântico, o Flamengo, de Jorge Jesus, soma e segue, tendo vencido a Chapecoense, por 0-1. A equipa do técnico português beneficiou ainda do empate (1-1) do Palmeiras com o Atlético Mineiro e reforçou o comando, passando a ter cinco pontos de vantagem. Além disso, é a primeira vez que uma equipa do Brasileirão atinge os 52 pontos à 23.ª jornada do campeonato. Mais um recorde para "JJ". É obra.