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Mesmo atípico, viva o S. João

Mesmo atípico, viva o S. João

Tempos estranhos, estes! Acordar e ver a Baixa do Porto quase deserta, na véspera de S. João... Há uns meses dir-se-ia tratar de um filme de ficção. Mas não, é mesmo a realidade ditada pela covid-19. A ordem é para ficar em casa. E será no lar, com familiares e amigos, que se comerá a bela sardinha. Mesmo atípica, a noitada é para celebrar. Em 2021 será melhor.

Atravessar a ponte Luis I, manhã cedo, olhar para as margens de Gaia e do Porto sem as ver engalanadas, espreitar para a esplanada do Guindalense e pensar que hoje encerra às 19 horas e, no fim da curta viagem, pisar os Aliados, apreender tudo à nossa volta e ver uma praça despida de gente e frenesim, é um cenário nunca visto, a 23 de junho.

Numa época "normal", as duas margens teriam bandeirinhas, na ponte Luis I, provavelmente, os homens do fogo-de-artifício estariam a ultimar pormenores e a baixa portuense seria invadida por tendas de comes e bebes, mais um sem número de vendedores ambulantes, que emprestariam o colorido singular e o típico linguarejar tripeiro.

Nada disso. A cidade não vai receber a habitual enchente e impera o silêncio. Faltam os martelinhos e tudo o resto. É um vazio que até dói. O panorama será idêntico às outras localidades onde o S. João é tradição, como são os casos de Braga e Vila do Conde. Balões e foguetes estão desaconselhados, Matosinhos vai fechar as praias e Gaia mantém o Jardim do Morro interdito.

As medidas impõem-se e ninguém, de bom senso, levará a mal. Coloca-se um freio para resistir e alumiar a esperança que a batalha contra a pandemia será ganha. Até lá é forçoso adaptarmo-nos às circunstâncias. E se o bailarico na rua e o foguetório estão proibidos, em casa o convívio e os petiscos à mesa não devem falhar.

Este é um hábito que promete ser cumprido, a avaliar pelo corrupio até à hora de almoço junto das peixeiras, padarias e pomares de Gaia. Seguramente em tudo idêntico às outras localidades são-joaninas. A sardinha, a broa e o pimento tiveram boa saída. O estado de espírito até poderá ser diferente, mas haverá festa. Os vivas ao S. João estão garantidos. No recato e sem multidões. É seguir os conselhos.

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