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Nem Mourinho pode com a pandemia

Nem Mourinho pode com a pandemia

Noutra altura qualquer, televisões, redes sociais e conversas de circunstância, mais ou menos profundas, estavam viradas para Inglaterra, concretamente para a Premier League, onde renasce um dos maiores de sempre do futebol português. O ressurgimento de José Mourinho, no entanto, apenas surge como uma nota de rodapé, passada na diagonal, nos tempos que correm. O futebol - e não a religião, como Karl Marx defendia - até pode ser o ópio do povo. Mas só se não houver uma pandemia a azucrinar-nos e a massacrar-nos.

Esqueçamos a Covid-19 por um momento, então. Depois de anos pouco brilhantes, "Mou" volta a ser o "special one". O Tottenham, que não ganha um troféu desde 2008, é o líder do campeonato inglês, feito alcançado com uma vitória clara () (2-0) sobre o Manchester City (o que se passa com Guardiola, já agora?) e o que se vê, ao contrário de anos recentes, é Mourinho a tirar o melhor dos craques que tem à disposição, com destaque para Harry Kane e Son (Gareth Bale ainda tem que esperar, mas pode ser um reforço de peso para o resto da época). O treinador português parece mais tranquilo, menos amargo e de mal com tudo e todos. As vitórias também podem ser explicadas por aqui.

A Premier League 2020/21 tem, aliás, sido marcada pelos portugueses. É que a Mourinho junta-se Diogo Jota, que chegou, viu e venceu no Liverpool. Em poucos meses, já fez história nos "reds" e com isso ainda contraria uma espécie de mantra que diz que só passando por grandes clubes na formação é que se pode aspirar a ter uma carreira brilhante. É mentira. Obrigado por isso, Diogo.

Em Portugal, a Taça, como sempre, trouxe heróis improváveis. Mas para os grandes, com Toni Martinez e Samaris a reivindicarem-se perante Sérgio Conceição e Jorge Jesus, respetivamente, com golos importantes. As surpresas, essas, foram poucas e os tomba-gigantes não apareceram, com a exceção da União de Leiria, que eliminou o Portimonense. Mais um sinal sintomático de um futebol, local e globalmente, cada vez mais desequilibrado, pensado e feito para os mais poderosos, e com pouco que oferecer aos pequenos e modestos. Mudar isso é obrigatório.

PS: Também podíamos falar sobre Cristiano Ronaldo, mas não vale a pena chover no molhado, não é?

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