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O desafio de André Gomes

Esqueçam a bola. A imagem do fim-de-semana é a lesão arrepiante de André Gomes, internacional português que alinha no Everton. Um médio de qualidade, elegante, made in F. C. Porto, Boavista e Benfica. Aos 26 anos, o futebolista que joga de rosto fechado prepara-se para enfrentar o maior desafio da carreira. A grave lesão implica um longo período de paragem e complica a ambição do jogador, que, certamente, procurava regressar à seleção nacional. Também ele é um dos heróis da conquista do Europeu, em 2016.

Além da recuperação física, André Gomes terá o desafio de recuperar psicologicamente. Enfrentar os seus próprios medos e receios, inerentes a quem passou por um episódio traumático. Terá de ser um passinho de cada vez, até ao momento de voltar a entrar no relvado e disputar uma bola no limite como aconteceu em Goodison Park no fatídico Everton-Tottenham (1-1). O lance fez as manchetes em terras de Sua Majestade, por toda a envolvência inerente ao momento. A dor de André Gomes, o desespero de Son, a devoção de Aurier, o choque dos colegas e adeptos. Brutal.

Fica o desejo de rápidas melhoras para o internacional português. Mais que nunca, André Gomes terá de encontrar a força mental que lhe faltou, por exemplo, em Barcelona. Em entrevista, o jogador chegou a confessar publicamente que "jogar tornou-se um inferno" quando esteve ao serviço da formação blaugrana. Uma confissão que deixou o mundo futebolístico de boca aberta, mas que teve eco noutros jogadores, que também revelaram já terem passado por depressões.

Cá por casa, na nossa liga, jogou-se mais uma jornada, sem grande nota artística. A maior proeza acaba por pertencer ao bravo Famalicão, que, reduzido a dez ainda na primeira parte, conseguiu amealhar um ponto em Braga e deixar a "Pedreira" à beira de um ataque de nervos. Este Famalicão recusa-se a despir a pele de protagonista e, após a derrota (3-0) com o F. C. Porto, venceu o Gil Vicente e somou agora mais um ponto no Minho.

O brasileiro Anderson foi novamente talismã. Entrou e fez o golo do empate (1-1) no último minuto. São sete golos sempre a sair do banco. É obra!