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O treinador e a boa imprensa

O treinador e a boa imprensa

Faz-me confusão que um treinador passe de bestial a besta só por causa de um ciclo negativo. Lamentavelmente, cá pelo burgo, a escassa cultura desportiva é gritante e de uma semana para outra, ou do dia para a noite, colocam-se os treinadores nos píncaros ou na porta da saída. O mesmo acontece noutras áreas, mas como não há mediatismo a coisa passa ao lado. Até há bem pouco tempo, Bruno Lage era o novo herói da nação benfiquista, mas agora já é descartável e só se mantém no comando, por não ter apresentado a demissão, o que iria permitir ao Benfica poupar uns bons milhões na indemnização. Fez bem, Lage. Assim como fez bem ao lamentar e explicar o que quis dizer quando meteu os jornalistas ao barulho.

Entra-nos pelos écrans e pelos jornais, pela milésima vez, a notícia que Jorge Jesus será o futuro treinador do Benfica. Luís Filipe Vieira parece que acorda e adormece a pensar no técnico do Flamengo, mas não foi o presidente do Benfica que abdicou do mesmo "JJ" há cinco anos? O mesmo "JJ" que depois foi para o rival Sporting e abriu uma ferida no coração encarnado.

No futebol, tal como na vida, a memória é curta e o que conta é o momento. Jorge Jesus tem os seus méritos, mas também tem boa imprensa. Não é politicamente correto, mas é a (minha) realidade. Este "JJ" também é o mesmo que colocou David Luiz a defesa esquerdo e saiu goleado (5-0) no Dragão. Ou seja, a tal história do bestial a besta. Jesus é competente, mas também não é a última "Coca-Cola" no deserto.

Como diz um amigo meu, de Leça da Palmeira, gostava era de ver o Jorge Jesus ou o José Mourinho a treinar o Leça e a conquistarem títulos. Vítor Oliveira, o rei das subidas à Liga (são 10 no currículo), desarma qualquer um quando lhe perguntam o segredo do sucesso. "É ter bons jogadores", limita-se a dizer. É difícil perceber isso? Um treinador é peça chave, mas sem jogadores de qualidade... fica difícil.

Sérgio Conceição deixou escapar que não gosta de ver colegas de profissão a serem discutidos na praça pública. É da vida, e é a fatura de quem chega ao topo. Ficou-lhe bem e Lage agradeceu, dizendo que não há inimigos mas sim adversários. Um exemplo simples que devia acontecer mais vezes.

Nota lá para fora para Luís Castro e Pedro Martins, dois senhores do futebol português, cada um com o seu ADN. Castro é um "gentleman" e acaba de se sagrar campeão na Ucrânia, no Shakhtar Donetsk. Pedro Martins continua a manter aquele estilo do "rabo de boi que limpa tudo", como tão bem Quinito descrevia o ex-médio, e só espera a oficialização na secretaria para celebrar o título conquistado em campo pelo Olympiakos.

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