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Os "dois PSD" que vão a votos

Os "dois PSD" que vão a votos

Amanhã é o dia D do PSD. Haverá uma confirmação ou uma mudança da liderança? Rui Rio, atual presidente do partido e recandidato, e Luís Montenegro, que o quer afastar, pretendem unir o partido; no entanto, nos dias que antecederam a segunda volta, parece existir tudo menos coesão interna.

Verdade seja dita que os períodos pré-eleições internas colocam sempre divergências a descoberto. Contudo, neste caso, elas começaram logo na leitura dos resultados da primeira volta: Rio não escondeu a satisfação por ter ficado "a 0,56% da maioria absoluta" (e disse depois, em entrevista à TVI, que sente que as eleições estão "quase ganhas"); Montenegro sentiu necessidade de publicar um vídeo nas redes sociais onde afirmou que, "numa segunda volta, partimos do zero".

Em jeito de aviso ao militantes, Rio considerou que o PSD não pode "triturar líderes" de cada vez que perde eleições; já Montenegro nunca deixou de criticar o comportamento "demasiado passivo" do partido na oposição ao PS - convicção que serviu, de resto, de argumento para se candidatar à liderança. Rio esclareceu, ainda antes da primeira volta, que "nos próximos dois anos será igual" e que "quem não concorda, o melhor é não votar" em si; Montenegro alertou, na reta final, que esta é "a última oportunidade" para "mudar o PSD".

Que mudança?

A mudança de que fala Montenegro - e que justifica o facto de esta semana de campanha a dois ter sido agitada (houve, recorde-se, acusações de alegadas ofertas de cargos e de supostas irregularidades nos votos) - tem a ver com a forma como cada um dos candidatos concebe o partido.

Rio disse em tempos que "o PSD não é um partido de Direita", escolheu a frase "Portugal ao Centro" como slogan e espreita um eventual fim antecipado da legislatura - em que já admitiu acreditar - para poder surgir em força; Montenegro, antigo líder da bancada do PSD durante o Governo de Passos Coelho, faz bandeira de um distanciamento categórico face ao PS, quer levar a cabo as "reformas estruturais" que Passos também considerava imprescindíveis e pede uma oportunidade para os sociais-democratas poderem fazer algo mais do que "arrumar a casa" após os Governos PS.

Na corrida à liderança, Rio deseja ver consumado o que acredita estar perto; já Montenegro apela aos 9 mil abstencionistas para conseguir vencer amanhã. Qualquer que seja o resultado, há um espectro que continua a pairar - e que foi evocado por Carlos Carreiras, presidente da Câmara de Cascais: "se e quando Passos Coelho decidir voltar, tenho a certeza de que o partido estará unido" a apoiá-lo.

Função pública com aumentos superiores a 0,3%

O Governo anunciou que vai haver aumentos superiores a 0,3% na função pública. O Executivo convocou os sindicatos para uma reunião para o dia 10 de fevereiro - já depois da votação final global do Orçamento do Estado, marcada para dia 6.

Livre discute futuro de Joacine em Congresso

O Livre continua, embora por razões algo prosaicas, a marcar a atualidade política. Dias depois de ter sido noticiado que uma das 18 moções que vão ser discutidas no Congresso deste fim-de-semana pede a retirada da confiança política à deputada Joacine Katar Moreira, agora foi a própria Assembleia do partido (órgão máximo entre Congressos) a decidir propô-lo. Caso se confirme (o Congresso o dirá), há duas hipóteses: ou Joacine aceita ceder o lugar ao Livre e sai de cena - entrando Carlos Teixeira, o número 2 por Lisboa - ou se mantém em funções até ao fim da legislatura, deixando o Livre de ter representação parlamentar. Sendo o mandato pessoal, a decisão está nas mãos de Joacine.

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