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País que previne não tem agosto agridoce

País que previne não tem agosto agridoce

Bem podia ser um provérbio popular por estes dias. "País que previne não tem agosto agridoce" aplicava-se a qualquer ano, com as diferentes vicissitudes de cada agosto. É um mês sempre atípico, mais não seja pelo aumento do número de pessoas presentes no país.

Agosto, já se sabe, é o mês em que a densidade populacional do país aumenta, fruto da chegada de emigrantes e turistas. Repetem-se os mesmos acontecimentos, com uma ou outra novidade, com maior ou menor gravidade, e fala-se mais de prevenção do que em qualquer outra altura do ano.

Com mais população a residir em território nacional durante um mês, é maior a probabilidade de ocorrências trágicas como as que nos chegam de Ovar e Lousada, ocorridas ontem, que vitimaram três pessoas. Em Ovar, morreram dois cidadãos de nacionalidade brasileira, na A1. Em Lousada, a vítima mortal é o condutor de um camião que se despistou e bateu contra uma casa.

As autoridades multiplicam apelos à prevenção nesta época, sobretudo na estrada, face ao aumento populacional. O mesmo "considerável aumento" que, justifica o Hospital de Braga, esteve na origem do congestionamento de ambulâncias dos bombeiros e do INEM à porta daquela unidade de saúde, como dá eco a Sandra Freitas, na edição impressa de hoje do JN.

Hoje, também ficamos a saber que a área ardida em Portugal, este ano, é 26% inferior em relação à do ano passado, e 42% menor que em relação à média dos últimos dez anos. Embora frisasse que não queria fazer balanços, o ministro de Eduardo Cabrita, ministro da Administração Interna, deu números positivos.

Resultam, segundo o ministro, da "intervenção inicial dos bombeiros voluntários" no combate aos fogos. Ou seja, a troco de nada material, e muitas vezes deixando a família e amigos para segundo plano, estes homens e mulheres permitiram que apenas um em cada 20 incêndios fosse maior que dez hectares, até agora. Prevenção, vigilância e ação rápida são os três ingredientes que estão a fazer do agosto um mês mais querido, neste capítulo.

Prevenir a greve dos motoristas de matérias perigosas também está na ordem do dia. O "tempo indeterminado" da greve de 12 de agosto promete transformar o agosto querido num mês assustador, se nada se aprender com o primeiro ensaio, que secou o país em poucos dias, em abril. Neste dossiê, ainda é a fase da prevenção que impera, com António Costa e Marcelo Rebelo a alertarem para as consequências. O sabor mais doce ou mais amargo deste agosto parece depender disso.