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Palmas para a democracia

Palmas para a democracia

O ano em que Eça nos deu a conhecer "os Maias" foi também o ano de fundação do Jornal de Notícias, hoje a celebrar 132 anos com palmas para a democracia.

Quatro páginas por dez réis e 7500 exemplares. Assim foi a primeira edição do Jornal de Notícias, em claro contraste com as 100 páginas que a edição impressa de hoje traz. O dia 2 de junho de 1888 enriqueceu a democracia, porque não existe democracia sem imprensa livre e plural, nem existe imprensa livre e plural sem o único diário nacional feito a partir do Norte.

Com o reinício faseado da normalidade diária em curso, os números da covid-19 continuam a baixar, mas vai permanecer a necessidade de informação comprometida e de confiança destapada pela doença.

Sem ela não teríamos a confirmação, por exemplo, do que há muito suspeitávamos: "Há uma fome de afetos que é confessada com especial incidência pelos mais velhos". A frase é da Carla Sofia Luz que escreveu hoje sobre o barómetro da Pitagórica para o JN que nos mostra que o medo do coronavírus continua a condicionar o país que tem o presidente dos afetos.

Ele, Marcelo Rebelo de Sousa, escreve hoje no JN que "não há democracia que resista duradouramente" sem uma informação viável, independente e livre. Se, como regista António Costa também hoje no JN, a "democracia saiu fortalecida pela forma como a Constituição testou o estado de emergência", a mesma democracia também se fortaleceu com leitores que reconhecem a importância da imprensa próxima.

A Direção do JN dá disso conta, ao enumerar "histórias de quem tinha medo de sair à rua, mas continuava a fazê-lo para ir buscar o JN", ou "de quem nos telefonava a perguntar que universidades já tinham fechado, o que se podia ou não fazer fora de casa, de quem via no jornal um canal de referência para esclarecer as dúvidas que o momento trouxe de assalto".

Por isso, as palmas são agora para a democracia feita de pequenos gestos deste tipo, pelos mesmos leitores que fizeram da última geração da máquina de escrever a que lidera agora o jornalismo digital.

Com o compromisso de trilhar a proximidade todos os dias, mostramos hoje muitas e diferentes realidades. Do granizo que arruinou "completamente" o ano agrícola dos frutos vermelhos no Fundão e Sever do Vouga, à maior ponte pedonal suspensa do Mundo que está quase pronta em Arouca, passando pelos alienígenas chapéus com hélice oferecidos pela Câmara de Arcos de Valdevez para distanciar crianças. Nenhum par de sapatos, por muito bom que fosse, contaria tanto.

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