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Partidos unidos no combate ao tráfico de droga no Porto

Partidos unidos no combate ao tráfico de droga no Porto

Se na semana passada Rui Moreira só teve do seu lado o PSD, esta semana, de novo na Assembleia Municipal, os partidos uniram-se no combate ao tráfico de droga. É caso para dizer que à segunda foi de vez. O consenso político nesta matéria dignifica o Porto. E nem o voto contra do BE às propostas do movimento "Porto, Nosso Partido" retira brilho ao entendimento alcançado.

Todas as forças partidárias apresentaram moções à Assembleia e quase todas foram aprovadas, menos a do BE. A recomendação do Bloco de Esquerda, intitulada "Por uma resposta integrada à situação do tráfico e consumo de substâncias psicoativas", que incluía a criação de uma linha de emergência para munícipes, foi chumbada.

O debate foi acalorado e durou mais de três horas. Em causa estava, sobretudo, a aprovação das medidas preconizadas pelo movimento "Porto, Nosso Partido", afeto a Rui Moreira. Tratam-se de recomendações ao Governo, que consistem no aumento dos meios do combate ao tráfico de droga, através do reforço urgente, efetivo e permanente do patrulhamento e da visibilidade das forças de segurança.

Apesar da concordância, dois pontos tiveram a oposição da CDU, para além do BE. A faculdade da Câmara do Porto poder despejar sempre que a habitação municipal é utilizada para o fim ilícito do tráfico e a hipótese do recurso à videovigilância, mereceram a reprovação de comunistas e bloquistas, assim como a abstenção do PAN, de qualquer forma insuficientes para travar o sentido de voto da maioria.

Os partidos esgrimiram argumentos, não abdicaram das suas convicções, mas prevaleceu o bom senso e a garantia do bem maior, que é zelar pela segurança dos moradores nos bairros. Como disse Sofia Maia, a presidente da União de Freguesias de Lordelo do Ouro e Massarelos, uma das zonas mais atingidas pelo flagelo da droga, o tráfico e o consumo "tomaram conta da via pública", pelo que a tomada de medidas é bem-vinda. Mais do que isso, é uma urgência.

Esteve bem a Assembleia Municipal ao dar um sinal de esperança aos cidadãos da Invicta. Um dos passos seguintes prende-se com a reunião do Conselho Municipal de Segurança, que já tem convocatória marcada. Por parte do Executivo da Câmara, é conhecida a disponibilidade para abrir os cordões à bolsa e apetrechar a PSP dos meios em falta. Existindo dinheiro e consenso político na cidade, haja vontade e coragem do próximo Governo para dar aos portuenses aquilo que reclamam.