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Pobres, gordos e improdutivos

Pobres, gordos e improdutivos

O problema de Portugal não é a dívida pública, não é o Serviço Nacional de Saúde ou o excesso de professores e nem mesmo o Parlamento formado pela abstenção. O problema são as médias.

As médias é que têm vindo a tramar os portugueses: a maioria ganha abaixo da média da União Europeia, produz menos do que a média de um alemão e faz menos exercício em média do que recomenda a Organização Mundial de Saúde. Consequentemente, é obeso. Mórbido.

Foi por causa das médias que troquei palavras agridoces, há dias, com um adepto de futebol estrangeiro que vinha no metro com um pé em cima do banco onde algum português havia de sentar-se. Entre rolares de olhos e suspiros para o lado, o suiço lá tirou a patorra e vingou-se com a provocação que ouviu, há dois anos, do presidente do Eurogrupo: que os países do Sul da Europa gastam tudo em copos e mulheres e, depois, têm de pedir ajuda aos (trabalhadores) países do Norte.

Dijsselbloem estava errado e todos o sabemos. Que os portugueses são obesos porque, em média, comem mais farinha, batatas e carne de porco do que um rico holandês, não tenho dúvidas. E que também não resta tempo para o ginásio (ou a caminhada ou o ioga matinal, por entre carreiras de barco, metro e autocarros) também sabemos, dado que somos o segundo povo europeu que mais horas trabalha em média (e menos produz, mas por outros motivos). O primeiro é a Grécia. Espanha, Itália, Grécia e Portugal estão entre os países onde a obesidade mais aumenta.

O problema é que a média portuguesa esconde assimetrias graves, onde alguns ganham muito, gastam muito, aparentemente produzem muito e comem muito melhor do que os restantes. Deixemos a interpretação e a solução para o novo Governo que há de tomar posse, assim se espera, sem medidas ou palavras agridoces.

Ao suiço, respondi apenas que era evidente quem tinha estado a trabalhar todo o dia e quem andava a destruir a produção dos outros. Depois, lembrei-me que o stress também engorda e desejei-lhe "boa sorte" à saída da carruagem. Perderam.