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Quando a esperança se chama Pfizer

Quando a esperança se chama Pfizer

A última vez que ocupei este espaço da Newsletter, há pouco mais de um mês, foi no dia em que Portugal atingiu os 80 mil casos positivos de covid-19. Passados 35 dias, houve mais 107 mil. No total, são oito meses a lidar com números e mais números, sem saber até quando. Isto numa altura em que a Pfizer nos parece querer dar uma luz ao fundo do túnel.

Há, efetivamente, algumas reservas quanto ao funcionamento da vacina e as suas condições de conservação. Mas, numa altura em que todo o Mundo está perto do desespero, qualquer notícia animadora é suficiente para gerar alguma esperança.

Esta terça-feira, Portugal atingiu mais um número daqueles que não desejava: foi ultrapassada a fasquia dos três mil óbitos. 62 só nas últimas 24 horas, metade deles na Região Norte. Já são números a mais, mas não dá para ficar por aqui.

Com os lares como grande preocupação, dada a fragilidade dos utentes, em Mirandela já há 33 infetados em dois destes espaços.

Entre os profissionais de saúde a situação também tem estado complicada. Como nos dá conta a Sandra Ferreira, no Centro Hospitalar Tondela-Viseu já há 29 infetados, só entre os profissionais.

Numa altura em que 70% do país está com medidas duras de prevenção da pandemia, fazem-se, já, contas aos prejuízos e aos danos que esta está a causar à economia, com a restauração a ser dos setores mais afetados. No Porto, os empresários falam de um "cenário dramático".

Nos concelhos que (ainda) não estão sob essas medidas, já começa a haver preocupações, como é o caso da Mealhada, levando o presidente da Câmara Municipal a fazer um apelo para que os horários, ao fim-de-semana, sejam revistos.

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Duvido que alguém na Pfizer saiba onde fica a Mealhada, Mirandela ou o Centro Hospitalar Tondela-Viseu, mas nesses locais haverá certamente muita gente à espera que esta farmacêutica norte-americana dê boas notícias. Até porque, nos últimos meses, estas têm sido escassas.

P.S. - E não, não falei na legionela. Também os jornalistas estão cansados de dar más notícias.

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