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Que Porto queremos daqui a dez anos?

Que Porto queremos daqui a dez anos?

"Mais uma vez, o Porto confirmou o seu destino. Esta cidade vive numa pulsão suicidária."

Resgata-se esta frase de Paulo Cunha e Silva, escrita em 2002, no Diário de Notícias, a propósito de uma cidade que, no rescaldo da Porto 2001 - Capital Europeia da Cultura, desperdiçava a oportunidade de emancipar-se, para agora, como o antigo vereador da cultura do Porto também escreveu, tudo ameaçar voltar ao princípio.

A comunidade artística do Porto anda há 15 dias a discutir qualquer coisa que oscila entre a política municipal para a cultura e um conjunto de acusações de censura ao director do Teatro Municipal, misturado com a "turistificação" e a "gentrificação". E tudo começou com uma nota de rodapé escrita para uma folha de sala de uma peça de teatro. As cidades descobertas pelo turismo estão afinal melhores ou piores? E que papel pode a cultura desempenhar nessa transformação social, sem que isso se vire contra os moradores e os criadores da cidade? Que Porto queremos daqui a dez anos? Um Porto com futuro ou um Porto sem passado? É um debate que se impõe fazer.

Como se impõe abrir a discussão do futuro do Coliseu do Porto à cidade. Mas sem demagogia. Estamos a falar de 8,5 milhões de euros para manter de pé, a funcionar e em segurança, aquele equipamento da cidade. Há quinze dias, tudo apontava para o lançamento de um concurso público através do qual seria escolhido um concessionário. Agora, afinal, já não. No Porto nunca nada é de bandeja.

Apesar disso, a cidade lá vai "pulando e avançando como bola colorida entre as mãos de uma criança", e esta quinta-feira foi anunciado o Novo Museu da Cidade, um novo conceito que abrange 16 equipamentos espalhados pela malha urbana do Porto - e que é um projecto antigo, que estava por concretizar desde 1989.

Aqui ao lado, em Guimarães, dança-se. A cidade aproveitou cada possibilidade que lhe foi dada no ano em que foi Capital Europeia da Cultura, em 2012, e fundou aquele que é um dos mais importantes festivais internacionais de dança contemporanea do pais.

Ao lado, em Guimarães, dança-se. A cidade aproveitou cada possibilidade conquistada no ano em que foi Capital Europeia da Cultura, em 2012, e fundou aquele que é um dos mais importantes festivais internacionais de dança contemporânea do país. O Guidance está a celebrar dez anos. E merece mil aplausos. Esta quinta-feira, a noite é de Marlene M. Freitas ("Bacantes - Prelúdio para uma purga", 21h30), amanhã é de Sofia Dias e Victor Roriz ("O que não acontece", 21h30) e, sábado, é da imperdível companhia de Marie Chouinard ("The Rite os Spring + Henry Michauz_ Mouvements", 21h30).

Sábado é, aliás, um dia complicado para gerir agendas. No Teatro Rivoli, o bailarino Boris Charmatz que traz ao Porto "10000 gestes" - uma coreografia em que nunca nenhum passo se repete. No Teatro Nacional São João (é aproveitar agora, que em 2021 vai fechar para obras), há "MDLSX", apresentado como um "caleidoscópico solo" de Silvia Calderoni, com encenação de Enrico Casagrande e Daniela Nicolò, fundadores da companhia italiana Motus. No Campo Alegre, a Medeia repõe dois documentários imperdiveis: "Os Filhos de Isadora", de Damien Manivel, e "PJ Harvey: a dog called Money", de Seamus Murphy.

Além disso, vai estar sol. Por isso, todas as razões são boas para dançar ou ver dançar, ou ambas.
Tenha um bom fim de semana.

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