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Quem não deve, não teme

Quem não deve, não teme

Há dias, em conversa descontraída após uma entrevista para uma reportagem, dizia-me o senhor Manuel, 67 anos, que estava frontalmente contra o poder ser filmado na rua. Que não se admitia. Falava-se da "gatunagem que por aí anda" e, a talho de foice, abordaram-se os pedidos da Polícia de Segurança Pública (PSP) para instalar em alguns municípios sistemas de videovigilância com inteligência artificial.

O senhor Manuel até acha bem que filmem as ruas por causa dos gatunos, mas ele não quer aparecer na "fita". Bem lhe disse que já deve estar em milhares delas, ou não estejamos todos em permanente vigilância, em lojas, bancos e, até, na rua. Só não são sistemas tão sofisticados como os pretendidos pela PSP, que permitem procurar pessoas por características físicas, sexo, cores das roupas ou do cabelo.

"Quem não deve, não teme", concedeu, por fim, ainda assim parecendo olhar para o vazio, como que a digerir se isso da vigilância permanente seria bem assim. Ficou no que lhe pareceu. Talvez não merecesse a pena explicar-lhe que, de tal forma estamos sob "controlo", nem que mais não seja de algoritmos, que há dias, tendo registado no meu telemóvel um contacto de um assessor de imprensa, pouco depois, abrindo o Facebook no computador, me apareceu como primeira sugestão de amizade.

Ou como aquela pesquisa na Internet por umas sapatilhas para correr, que a seguir se multiplicam em tudo o que é nova janela, com principal destaque para as redes sociais. Ou seja, não estamos sozinhos nunca. Algo ou alguém sabe sempre por onde andamos. Daí que mais ou menos vigilância já possa ter pouca importância.

Não é o caso da vigilância para identificar a "gatunagem que anda por aí", como dizia o senhor Manuel. Essa nunca é de mais. É por isso que, como escreve hoje o jornalista Salomão Rodrigues, o presidente da Câmara Municipal de Espinho, Pinto Moreira, queira ver instaladas câmaras de videovigilância na cidade. A medida é justificada com o aumento dos casos de criminalidade.

A vigilância redobrada pode ser sempre oportuna em grandes ajuntamentos de pessoas, como os que se esperam novamente em Braga, este ano, para mais umas celebrações da Semana Santa, que até têm novidades. A Sandra Freitas conta que os arcos, estandartes e outros elementos decorativos vão apresentar um visual renovado, inspirado na arte barroca.

De visual renovado, menos barroco e mais funcional, bem precisa o serviço de Cirurgia Plástica do Hospital de Gaia, que está a celebrar 20 anos. Não só para o dotar de melhores condições de trabalho como para aumentar o número de camas para internamento. Atualmente só tem 15. Apesar disso consegue ser uma unidade de referência a nível europeu, que faz cerca de 2000 operações por ano. Pode ver aqui a reportagem em vídeo da Marisa Silva.

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