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Quem quer saber da cor de pele do primeiro-ministro?

Quem quer saber da cor de pele do primeiro-ministro?

O primeiro-ministro invocou esta sexta-feira a sua "cor de pele" contra a líder do CDS, no Parlamento, para encerrar um debate sobre segurança. Dirigentes do Bloco estão a receber ameaças, num dia que culmina uma semana de violência, e terminou com uma manifestação em Lisboa do Partido Nacional Renovador (PNR).

Tem muitos rostos e nomes, andava há muito encapotado e ontem rebentou como um barril de pólvora aos olhos de todos. Chama-se racismo, este diabo que despoletou episódios de violência na última semana e que hoje culminou com uma manifestação do Partido Nacional Renovador (PNR) em Lisboa contra a "ilegalização do braço armado do Bloco de Esquerda": o SOS Racismo.

O país, o quarto mais seguro do mundo, nunca antes tinha acordado com notícias de um autocarro e veículos incendiados às portas de Lisboa ou com uma esquadra da PSP atacada com "coktails molotov". A coordenadora do BE, Catarina Martins, e a deputada Joana Mortágua, que criticou a intervenção da PSP no Bairro da Jamaica, no domingo, têm recebido ameaças nas redes sociais e no e-mail parlamentar. Mamadou Ba, dirigente do SOS Racismo e assessor do BE, que no facebook se referiu à "bosta da bófia" para criticar a intervenção no Bairro da Boavista, pediu hoje proteção policial depois do candidato do PNR às europeias o ter confrontado a caminho de um debate, enquanto outro militante filmava a cena para a partilhar nas redes sociais.

"O PNR tem motivação óbvia de acirrar os ódios e encontrar um bode expiatório para legitimar a sua retórica racista. Há claramente um aproveitamento da extrema direita", defendeu Mamadou Ba em entrevista ao JN.

Tem sido uma escalada de violência e hoje, dia em que o presidente da Comissão para a Igualdade e Contra a Discriminação, Pedro Calado, chamou os jornalistas para uma reunião por estar preocupado com o "crescendo extremar do discurso xenófobo nas plataformas digitais, redes sociais e caixas de comentários online", o primeiro-ministro termina o debate quinzenal, no Parlamento, sobre segurança a invocar a sua cor de pele contra a líder do CDS-PP.

"Está a olhar para mim? Deve ser pela cor da minha pele que me pergunta se eu condeno, atos de vandalismo em Portugal", respondeu António Costa a Assunção Cristas, no final de um debate tenso e de a líder do CDS o confrontar com as três noites de violência.

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