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Refinaria em Matosinhos fecha mesmo. E agora?

Refinaria em Matosinhos fecha mesmo. E agora?

Em dezembro, a administração da Galp ofereceu cabazes de Natal aos trabalhadores. E o cabaz era recheado. Tinha vinho e tudo mais. No dia 21, quando se pensava no convívio e nas iguarias natalícias, o anúncio do fecho da refinaria de Matosinhos caiu como uma bomba. O choque foi replicado esta terça-feira, quando o administrador José Carlos Silva reiterou que o encerramento é "irreversível". E agora, o que fazer?

Pois, boa pergunta, dirão os trabalhadores. Logo a 21, data da comunicação à CMVM, houve quem quisesse devolver os cabazes ao conselho de administração. Agora, confrontados com a "decisão tomada e fechada", vão dar luta e sair à rua. Pedem o apoio da população, dizem que irão às câmaras de Matosinhos e do Porto. Prometem também bater à porta do primeiro-ministro, António Costa, em Lisboa, e repetir o protesto junto do ministro do Ambiente, Matos Fernandes.

Luísa Salgueiro, a autarca matosinhense, vê, assim, cair-lhe nos braços um grave problema. Um drama. Os sindicatos estimam que em causa estejam cerca de 500 postos de trabalho diretos e mais 1000 indiretos. Se servir de conforto a Luísa Salgueiro, de realçar a posição dos vereadores, do PCP ao PSD, passando pelos movimentos de Narciso Miranda e de António Parada, que, não obstante alguns remoques ao Executivo, parecem alinhados para formar uma frente comum na exigente tarefa de arranjar soluções.

Nos estudos e na argumentação da Galp, "não há racionalidade económica, nem estratégia para a continuidade da refinação" em Leça da Palmeira. José Carlos Silva, vogal do conselho da administração da petrolífera, justifica-se com "questões ambientais, transição energética, padrões de consumo, investimentos em curso por empresas concorrentes na Ásia, quadro fiscal e oportunidades de digitalização".

Curioso, porque deu tanto brado, foi o administrador clarificar que "não existe nenhum projeto de refinação de lítio para Matosinhos". A Autarquia também já se tinha oposto a tal hipótese. Um caso, portanto, a seguir com inusitado interesse, pois está previsto que o espaço se mantenha como parque industrial e foi divulgado que o desmantelamento da refinaria durará entre três a cinco anos.

Como não podia deixar de ser, a Saúde e o combate ao surto pandémico continuam na ordem do dia. O "general" Inverno promete não dar tréguas e o "reveillon" será de bater o dente. Segundo o Instituto Português do Mar e da Atmosfera, a entrada no ano novo ficará marcada pelo tempo frio, devido à ação de um anticiclone e à depressão Bella. Por isso, como se já não bastasse o coronavírus, protegermo-nos é a palavra mágica.

As notícias relativas à covid tanto angustiam, como dão esperança. Para não fugir à regra, este dia 29 de dezembro também teve essa dupla faceta. Sem surpreender, porque cedo ou tarde o cenário acabaria por se colocar, João Paulo Gomes, investigador do Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge, admitiu que "a variante [do Reino Unido] já esteja a circular" em Portugal.

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Para contrabalançar, à sua escala, registo para o início da vacinação em 150 lares nos 25 concelhos de risco extremo de infeção. A divulgação foi feito pela ministra Marta Temido, por inerência da função e pelas circunstâncias figura omnipresente nas televisões.

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