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Sangue novo, sangue velho e os "Parasitas"

Sangue novo, sangue velho e os "Parasitas"

Sangue novo: Netflix e as suas 24 nomeações, polvilhadas pelas principais categorias. Por exemplo ""Marriage Story" (Melhor Filme, Melhor Ator e Melhor Atriz e Melhor Atriz Secundária).

Sangue velho: Os estúdios tradicionais ("Joker", da Warner Bros., ou "Ford Vs. Ferrari", da 20th Century Fox), Sam Mendes e "1917" (os filmes de Mendes já conseguiram 33 nomeações e nove vitórias), ou Anthony Hopkins e Brad Pitt.

Sangue novo misturado com sangue velho: "O Irlandês", pago pela Netflix e realizado, produzido e protagonizado pelas mais veteranas e reverenciadas figuras do cinema norte-americano, cujos nomes fazem vibrar qualquer fã da Sétima Arte. Martin Scorsese, Robert De Niro, Al Pacino e Joe Pesci.

Parasita: o filme de Bon Bong Joon-Ho tem seis nomeações e vai escalando na métrica das potenciais surpresas. Reconheço, "Parasitas" não se está aproveitar do sangue alheio para se alimentar na cadeia das expectativas. Tudo o que conseguir será por mérito próprio. No mínimo, parece garantido o Oscar para Melhor Filme Internacional.

Assim serão os Oscars 2020, marcados para domingo (temos aqui um guia com todos os nomeados), uma cerimónia que tem gradualmente perdido interesse. As estrelas são agora ubíquas, nas redes e na comunicação social digital; a temporada dos prémios multiplica-se em entrevistas, rábulas, capas e aparições que saturam. Antes, ver os Oscars era uma oportunidade quase única de ver estrelas de cinema fora do grande ecrã. Agora, é mais uma forma de as evitar.

Há ainda os problemas que abordam a falta de diversidade - racial e de género - que tem provocado muita discussão e poucos efeitos. Na Realização, só foram nomeados homens. Nas categorias de representação, apenas há nomeados brancos, com exceção de uma só atriz, a britânica Cynthia Erivo. Certo, em "Parasitas", filme sul-coreano, os protagonistas são asiáticos ( nenhum deles foi nomeado), mas é a única cedência que a Academia fez no sentido de mostrar sensibilidade étnica, entregando-lhe nomeações para além do reduto da língua estrangeira.

Sem anfitrião, a Academia de Hollywood vai uma vez mais exibir-se, premiar-se e, salvo alguma surpresa, continuar a fazer exatamente o mesmo que sempre fez. Misturar sangue novo com sangue velho, numa permanente luta pela relevância artística e mediática, uma batalha dura entre o satus quo e a reinvenção.

O JN vai seguir a cerimónia pela noite dentro. Se não puder acompanhar, logo que acordar, venha a jn.pt, onde teremos todas as notícias, imagens e as notas dignas de referência sobre a maior noite de Hollywood.

A fechar, um pequeno tributo a Kirk Douglas, uma lenda do cinema que nos deixou, aos 103 anos. Eu também sou Spartacus!

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