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São os pais que dão os presentes

São os pais que dão os presentes

Aguardei até ser vencido pelo sono pela chegada dos Reis Magos. Para ver que presente me trariam nessa noite. Acordei cedo. Um pequeno embrulho aos pés da cama levou-me a preguiça num instante. Rasguei o papel. Era um helicóptero. A pilhas. Andava no chão graças a umas rodinhas. Voar? Tinha hélice (ou asa rotativa, como agora se usa dizer), mas só levantava se andasse com ele na mão.

Enfim, sempre era um brinquedo, apesar de não o ter referido na carta que escrevera e na qual sempre figuraram pistolas à cowboy com coldre e estrela de xerife. Naquela época passavam muitos filmes de pistoleiros na televisão e era inevitável não ter como ídolos John Wayne, Kirk Douglas, Gregory Peck, Clint Eastwood, Charles Bronson, entre muitos outros.

Mais tarde, a janela do quarto deixou entrar a deceção. Dois rapazes meus vizinhos, amigos quando não andávamos à pedrada, exultavam. No pátio da casa havia uma pista de carros, uma de comboios, espingardas e pistolas de cowboys com carregadores cheios de fulminantes, barcos, aviões e sei lá o que mais... Enfim, uma fartura de brinquedos que, não tardaria, estaria feita em pedaços. Veleidades de quem tinha muitos.

Não era fácil perceber porque os mesmos Reis Magos deixavam tanto numa casa e tão pouco na da frente. Perante a tristeza, seria a minha mãe a explicar que eles eram ricos e nós não. Que eram os pais que compravam os presentes e não os Reis Magos que os traziam. Estava explicado o porquê de o meu irmão mais velho receber ferramentas para trabalhar madeira em vez de brinquedos.

Em Espanha são os três reis que "levam" os presentes às crianças - o que tem lógica, pois eles é que ofereceram ouro, incenso e mirra ao menino Jesus. Em Portugal habituei-me a que fosse o menino Jesus - o que na verdade não faz sentido, pois é um bebé - e mais tarde até isto se perdeu. Agora já quase só se fala no Pai Natal, o que vai dar ao mesmo: são os pais que dão os presentes.

Presente, por estes dias, tem estado a chuva. Cada vez que é anunciada lá vem o rótulo de "mau tempo", esquecendo-se, por ventura, que Portugal precisa tanto dela como de pão para a boca. Estamos quase no fim do outono e ainda há regiões em situação de seca. Claro que de vez em quando chove um pouco a mais e lá se registam umas inundações. Mas comparados os prejuízos com os que o dito "bom tempo" do verão ajuda a causar...

Por falar em inundações, a Ana Peixoto Fernandes escreve que o rio Minho inundou as margens em Monção, atingindo o antigo balneário termal e a ecovia. Aquelas não devem ser preocupação dos promotores do hotel que vai ser construído na praia de Matosinhos. A Adriana Castro anotou as declarações da presidente da Câmara a garantir que a empreitada é "inevitável", tal como parecia inevitável que os últimos moradores do prédio Coutinho, em Viana do Castelo, fossem chamados a tribunal.

É por uma questão de justiça que o presidente da Comunidade Intermunicipal Terras de Trás-os-Montes, Artur Nunes, reclama uma compensação financeira superior por parte do Estado para investir nos transportes públicos de nove concelhos do distrito de Bragança, tal como escreve a Glória Lopes.

Vão de transportes públicos ou particulares, mas vão. É o que clamam os moradores das aldeias de Vale de Cambra que deitaram mãos à obra e construíram mais de 40 presépios, que constituem um roteiro criado pela Câmara. A Catarina Silva foi lá fazer a reportagem e conta que os presépios aparecem à face da estrada, em campos, junto às igrejas ou a riachos. A estes presépios não hão de ir os Reis Magos. Afinal, são os pais que dão os presentes. Bom Natal!

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