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Sobrelotação em dia de novo Governo

Sobrelotação em dia de novo Governo

O XXII Governo Constitucional de Portugal acaba de ser formado e já são várias as tarefas que tem pela frente. Uma delas, que se multiplica por vários Ministérios, está relacionada com a sobrelotação dos serviços públicos. Segurança Social, Justiça e Saúde são dos mais afetados.

Ontem, o jornalista Roberto Bessa Moreira dava conta que há tribunais com buracos no teto e que há juízes a pedir para trabalhar a partir de casa. Hoje, a jornalista Marta Neves conta-nos a história do "pandemónio" da sobrelotação na Segurança Social de Matosinhos e o jornalista Rogério Matos continua a descrever os problemas do Serviço de Urgência do Hospital de Setúbal, que num dia recusou ambulâncias e, no outro, deixou os bombeiros a dormir à porta, à espera que os doentes fossem transferidos das macas dos bombeiros para as camas do hospital.

Não faltam, por isso, dores de cabeça em perspetiva para os ministros Francisca Van Dunem (que continua na Justiça), Ana Mendes Godinho (que brilhou no Turismo e vai para a Segurança Social) e Marta Temido (que se mantém na Saúde). A última terá dores de cabeça maiores, tendo em conta a nova guerra instalada com os enfermeiros a propósito das progressões nas carreiras, cujo novo episódio é a exigência da devolução do aumento salarial que tem vindo a ser entregue desde 2018.

O universo de enfermeiros potencialmente afetados é superior a 20 mil, estima o maior sindicato do setor. Quando pensamos que aquela é a classe mais numerosa do setor da Saúde e que o público emprega pouco mais de 43 mil enfermeiros em todo o país, tirar do bolso de metade dos trabalhadores o dinheiro previamente entregue não augura uma relação harmonioso.

Entretanto, completam-se hoje dois anos dos fatídicos incêndios de 15 de outubro que assolaram o Norte e Centro do país, matando 50 pessoas, naquele que foi o pior dia do pior ano de sempre no que toca aos incêndios em Portugal. A boa notícia, diz-nos o jornalista Francisco Pedro, é que quase todas as casas destruídas pelo inferno vermelho estão recuperadas. A má notícia é que as cicatrizes vão ficar para sempre pois não há condenação judicial ou ação de prevenção que apague a dor da perda de uma vida.