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Sporting numa encruzilhada

Numa época muito difícil dentro do campo, uma guerra entre o presidente e a principal claque era tudo o que o clube leonino (não) precisava

Frederico Varandas sentiu-se apertado pela Juve Leo num jogo da equipa de futsal do Sporting - quem não se sentiria? - e cortou os privilégios à maior claque do clube de Alvalade, sem esquecer outra, o Diretivo XXI. No meio de enorme contestação potenciada pelos péssimos resultados desportivos da temporada em curso, o presidente leonino comprou uma guerra de consequências imprevisíveis, que só uma improvável melhoria drástica da equipa agora orientada por Silas poderá amenizar.

Visto à distância, Varandas fez bem. Orquestrada, ou não, por Bruno de Carvalho (o ex-presidente que a Juventude Leonina decerto não se importaria de voltar a ver no cargo), a principal claque sportinguista esteve ligada há ano e meio a um dos momentos mais terríveis que o clube passou desde que foi fundado, o célebre ataque à Academia de Alcochete. Só por isso, já devia ter deixado há muito tempo de ter todos os privilégios e mais alguns.

Na perspetiva pessoal e conjuntural, as coisas são diferentes, até porque não é líquido que o presidente do Sporting consiga resistir a uma temporada destas sem o apoio dos adeptos mais radicais do clube. Ter a Juventude Leonina na trincheira oposta, com a equipa de futebol longe de F. C. Porto e Benfica na luta pelo título, é meio caminho andado para ter a vida transformada num inferno.

É complexo o fenómeno das claques dos grandes clubes portugueses. Sim, porque o Benfica também as tem, mesmo que Luís Filipe Vieira diga que não. Por um lado, com ou sem benefícios dados pelos dirigentes, são elas que acompanham as equipas para toda a parte e vão pondo alguns milhares de pessoas nas bancadas dos estádios, seja de noite ou de dia, ao fim de semana ou a uma segunda-feira. Por outro, é inegável que essas claques são compostas, em grande medida, por gente que está longe de ser um modelo de virtudes.

No Sporting, como no F. C. Porto ou no Benfica, ter as claques "controladas" é sinónimo de menos confusão na hora do aperto para quem dirige, leia-se, no momento de lidar com os fracassos. Por esse prisma, Frederico Varandas arriscou e está a brincar com o fogo. Mas para quem está de fora, a atitude que tomou no que à Juventude Leonina diz respeito é muito menos disparatada do que as que tem tomado na gestão do plantel do Sporting ou na contratação e rápido despedimento de treinadores.