Newsletter Editorial

Suspeitas, incêndios, lucros e trigo no arranque da estação "pateta"

Suspeitas, incêndios, lucros e trigo no arranque da estação "pateta"

Começou esta segunda-feira a chamada "silly season" [estação pateta], assim designada por agosto ser um mês tradicionalmente de férias, em que metade do país está a banhos, e pouco dado a grandes parangonas, abrindo caminho à proliferação de notícias sobre temas banais. Mas, este ano a realidade pode bem ser outra. Há a guerra, as matas não param de arder, mais um padre foi afastado por suspeita de abusos sexuais, e o Novo Banco, famoso pelos sucessivos pedidos de apoio ao Estado, viu o seu lucro líquido disparar mais de 93%...

Depois do frenesim das últimas semanas, a propósito da ocultação, por parte da cúpula da igreja, da denúncia de alegados abusos de um padre sobre um menor, esta segunda-feira foi o próprio patriarcado a anunciar que recebeu "uma denúncia relativa a um possível crime de violação praticado por um sacerdote diocesano".

Os ventos da tormenta continuam a soprar ameaçadoramente sobre a instituição católica, que, aqui e ali, deixa a nu fragilidades na sua organização interna, suscetíveis de, pelo menos, adensarem as dúvidas sobre o que realmente aconteceu durante décadas a fio.

PUB

Onde o vento sopra forte também, e junta forças com as altas temperaturas e pouca humidade, é nas serras e matas do país, onde os bombeiros enfrentam há semanas seguidas o flagelo dos incêndios, que parece ser o Adamastor da época contemporânea. De norte a sul, as ignições não param. Esta segunda-feira, entre outros, que transitaram dos últimos dias (Ourém, Mafra, Pombal), um fogo de grandes dimensões na freguesia de Irivo, no concelho de Penafiel, chegou muito próxima de várias habitações.

Notícia que pode deixar o leitor confuso, ou, pelo menos, a fazer contas, correndo o risco de se perder em tantos milhões, foi a divulgação nesta segunda-feira, dos resultados do Novo Banco. Segundo comunicou à CMVM, a instituição registou, no primeiro semestre deste ano, lucros de 266,7 milhões de euros, um aumento de 93,7% em relação a igual período do ano passado.

Não fosse este o banco que se tornou famoso, nos últimos anos, pelos sucessivos pedidos de verbas ao Estado, através do Fundo de Resolução, talvez não fizesse tanta confusão aos contribuintes. Mais ainda quando, ainda há três semanas, foi dito publicamente que estes pedidos poderiam não ter ainda terminado...

Mas vamos às coisas mais positivas, que também as houve esta segunda-feira, ainda que relacionadas com os horrores da guerra, que continua no Leste da Europa. Do porto de Odessa saiu esta manhã o primeiro carregamento de cereais ucranianos. A editora da secção Mundo do JN, Sílvia Gonçalves, explica-lhe tudo. Veja o vídeo.

Boa notícia também é o facto de a Universidade do Porto ter visto aprovada a atribuição de um financiamento de 11,3 milhões de euros, que será aplicado na criação de duas novas residências e requalificação de quatro já existentes até meados de 2025.

Por cá, Marcelo Rebelo de Sousa, embora com dúvidas promulgou o decreto-lei sobre o estatuto do Serviço Nacional de Saúde, e, noutro âmbito, deixou fortes críticas ao racismo e à xenofobia. Dois dias depois da denúncia de uma atriz brasileira sobre insultos deste teor aos seus filhos num restaurante da Costa da Caparica, o presidente da República reafirmou esta segunda-feira que "qualquer comportamento racista ou xenófobo é condenável e intolerável".

Finalmente, uma cena de violência que está a chocar o mundo foi divulgada esta segunda-feira. Aconteceu em Itália, no centro da cidade de Civitanova Marche, onde um vendedor ambulante nigeriano foi espancado até à morte, por um motivo tão fútil como a vítima ter insistido com a namorada do alegado agressor para que esta lhe comprasse uns lenços.

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG