Newsletter Editorial

Todos à volta de um papel

2019 acelera para a reta final e 2020 traz energias renovadas e esperança no futuro. É sempre assim à entrada do ano novo. À falta do "Boxing Day" português, o futebol cá do burgo assistiu a mais uma novela, esta no Minho, com Rúben Amorim a assumir o comando do Sporting de Braga, sem ter as devidas qualificações para treinar na Liga. À imagem de Silas no Sporting. Um caso que divide opiniões e que merece ser revisto pelas entidades que regulam o futebol nacional. "Falta de habilitações? Sim, é um papel", respondeu Amorim, na apresentação.

Por ser mediático, o cenário ganha outras proporções, mas o mesmo não acontece noutras profissões? Não há profissionais nas mais diversas áreas a desempenhar determinadas funções sem ter o respetivo "papel" ou formação específica para o cargo? Critica-se e assobia-se para o lado, mas, na verdade, andam todos à procura de um "papel". Naturalmente, o ideal seria uniformizar a questão e colocar "cada macaco no seu galho", mas haverá vontade para isso?

Ora, como se disse acima, o ano está a acabar e pode ser que 2020 seja uma boa altura para debater a questão. Até Cristiano Ronaldo já procura um novo "papel". O craque português já consegue falar sobre o final da carreira, embora ressalve sempre que ainda está distante, e deixou escapar que deseja participar num filme de Hollywood. Seria curioso, mas, para já, quem gosta de futebol, faz votos que o capitão continue a ser protagonista nas quatro linhas. De preferência, que repita a cena do Euro 2016 no Mundial 2020.

Um dos grandes artistas deste ano é, indiscutivelmente, Jorge Jesus. Goste-se ou não do estilo, o técnico teve o grande mérito de colocar o futebol brasileiro a olhar mais para Portugal e para os portugueses. Interpretou um "papel" de alto nível, ao fazer história no Flamengo, e foi condecorado pelo presidente Marcelo Rebelo de Sousa, recebendo a Ordem do Infante D. Henrique. Um final bonito e feliz.

O recomeço da Liga reserva um clássico Sporting-FC Porto, no próximo domingo. Que seja um jogo para deixar água na boca e sem (demasiado) recurso a VAR. Seria um bom "papel". Para todos.

Outras Notícias

Outros Conteúdos GMG