Newsletter Editorial

Triste Dia dos Namorados

Os portugueses investem mais do que outros povos europeus no Dia dos Namorados. Têm razões para isso.

Será cultural, insistem algumas camadas da população, que repetem baixinho que "entre marido e mulher não se mete a colher", poder haver uns "arrufos" em que os namorados acabam à chapada. Poucos casam, até porque a moral já não obriga, mas todos os anos contabilizam-se às mãos cheias as mulheres mortas pelos maridos, ex-maridos, namorados ou aspirantes a sê-lo.

O Eurostat fez as contas ao número de casamentos por mil habitantes e, em 2018, Portugal esteve entre os países onde menos pessoas deram o nó (3,4%, pior só em Itália e no Luxemburgo, com 3,2% e 3,1%, respetivamente). Para quê casar, dirão eles e elas? Casar sai caro, não há casas para os jovens nubentes iniciarem família e ficar em casa dos pais enquanto o emprego é precário (até quando!?) é a melhor solução. Em 2018, segundo a Pordata, houve 58,7 divórcios por cada 100 casamentos. Portugal foi o país da Europa com mais divórcios. E esses são os casamentos que acabaram bem.

Quando 67% dos jovens, com idades entre os 11 e os 21 anos, aceitam violência no namoro, o retrato romântico esborrata-se. Segundo o estudo da União de Mulheres Alternativa e Resposta (UMAR), 58% daqueles jovens admitem já ter sido vítimas de violência, mais especificamente 24% de violência sexual e 16% de violência psicológica. 6% foram vítimas de violência estrategicamente pensada para não deixar marcas.

"O mais chocante é a legitimação, a forma como muitas das nossas crianças e jovens consideram certos comportamentos normais", apontou a secretária de Estado para a Cidadania e Igualdade, Rosa Monteiro.

O problema é de tal ordem que, hoje, foi lançada a campanha #NamorarNãoÉSerDon@.

A ver se diminuem os números da PSP (seis queixas de violência no namoro por dia, em 2019).

A ver se diminuem as mulheres e crianças assassinadas por quem devia protegê-las. No ano passado, três dezenas de mulheres e uma criança foram assassinadas pelos companheiros.

Perante números destes, cuidado com o Dia dos Namorados. Não vá terminar num dia triste.

Outras Notícias

Outros Conteúdos GMG