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Uma pandemia não é uma folha de Excel

Uma pandemia não é uma folha de Excel

Mais um dia em estado de emergência, mais um boletim da DGS sobre a Covid-19. É difícil dizer se as notícias são boas ou más. São já pelo menos 60 as pessoas assassinadas pelo novo coronavírus em Portugal e 3500 os infetados. É verdade que a situação em Itália ou em Espanha é muito pior do que a nossa, mas é demasiado estranho encontrar conforto na tragédia alheia.

Primeiro, porque não deixa de ser uma tragédia, mesmo que alheia. Depois, porque esse desconfortável alívio tem um efeito terrível, que é o de diminuir a importância individual de cada uma das pessoas que pereceram. Uma vida não é uma estatística, um país em quarentena não é uma folha de Excel.

Ainda assim, não temos como não destacar esta evidência: Portugal está com uma situação bem mais favorável do que alguns outros países, o que pelo menos nos permite algum otimismo individual, ainda que coletivamente seja um pouco egoísta (pode acompanhar aqui os dados sobre a pandemia em Portugal).

Mesmo que haja ainda casos muito preocupantes, que vão sendo revelados, e que alguns insistam em não respeitar regras simples. O Estado, e bem, está a começar a penalizar quem não as cumpre, embora me pareça prematura esta ação da PSP, que está a parar condutores para lhes perguntar o que fazem na estrada. A propósito: anda a circular a informação que é necessária uma declaração para andar na rua, mas se receber essa mensagem, ignore-a. A polícia já explicou que é falsa.

Se está por casa, deixo-lhe duas dicas: o consumo de filmes sobre vírus e pandemias está a subir em todo o Mundo e fizemos-lhe uma seleção que pode consultar; e amanhã é o Dia Mundial do Teatro e os teatros nacionais vão ter uma programação especial. No JN desta sexta-feira, teremos mais sobre as iniciativas e as celebrações de um dia que para muitos artistas e técnicos será este ano muito diferente do habitual.

A terminar, a minha homenagem a Albert Uderzo, o homem que com Goscinny deu o Astérix à minha infância e que morreu esta terça-feira, aos 92 anos. O gaulês e a sua irredutível vontade de resistir ensinou-me que vale sempre a pena arriscar e procurar o Mundo, nem que seja para reconhecer que é imprescindível o regresso a casa. E festejar reunido a uma mesa a comer javali (e com o bardo desafinado bem amarradinho e calado, para não perturbar a harmonia caótica da celebração). Adeus, Uderzo!

Para ler mais noticiário sobre o coronavírus clique aqui. E aproveito para fazer mais uma recomendação: vá comprar o JN, os quiosque estão abertos para que nenhum leitor seja abandonado à selvajaria das redes sociais, que por estes dias estão infrequentáveis por quem não quer boatos, mentiras e conspirações.

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