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VAR ou não VAR, eis a questão

VAR ou não VAR, eis a questão

A arbitragem marca sempre a atualidade no campeonato português e a época em curso não está, nem vai, fugir à regra.

Estava na cara que o campeonato português seria um daqueles em que a introdução do videoárbitro no futebol nunca iria resolver de vez o problema das suspeições sobre a arbitragem. São muitos anos de desconfiança, de jogos por baixo da mesa, de ligações perigosas, de clubite exacerbada, de departamentos de comunicação agressivos e, claro, de árbitros incompetentes. De árbitros com medo de más classificações, que lhes possam tirar o rendimento ao final do mês.

A jornada do fim de semana deixou, mais uma vez, a ideia de que não será o VAR a ajudar grande coisa na diminuição das polémicas. Está muita coisa em jogo na luta pelo título, sobretudo numa época em que Portugal ainda não vai qualificar diretamente duas equipas para a Liga dos Campeões. Ou por outras palavras, numa época em que o encaixe mínimo de 50 milhões de euros pela presença na fase de grupos da próxima Champions só será garantido por um clube.

Tal como na temporada passada, Benfica e F. C. Porto voltam a estar sozinhos numa luta sem quartel pelo primeiro lugar. O fenómeno Famalicão está a esbater-se, o Sporting vive os traumas pós-Alcochete, o Braga deixou-se atrasar muito no início e o Vitória de Guimarães ainda não tem condições para ser campeão. Por isso, jornada após jornada, os jogos de águias e dragões deviam ser à prova de bala no que aos árbitros diz respeito, sobretudo àqueles que estão a ver tudo pela televisão, com imagens e repetições para todos os gostos. Mas não são.

A jornada começou com um Boavista-Benfica quente, que Jorge Sousa teve dificuldades em controlar e Hélder Malheiro, no VAR, não conseguiu ou não quis ajudar. A equipa da Luz ganhou por 4-1, mas adiantou-se no marcador no início da segunda parte com um golo que os especialistas de arbitragem consideraram irregular. Malheiro, que já errara ao não avisar Sousa na primeira parte de um cartão vermelho que ficou por mostrar a um jogador do Boavista, não teve a coragem, ou a competência, de anular o golo.

Toda a gente viu, Pinto da Costa também e o dia seguinte foi de críticas portistas ao VAR, que tiveram continuidade após o Belenenses-F. C. Porto de domingo, que a equipa de Sérgio Conceição não foi capaz de ganhar. Houve lances polémicos no Jamor, o VAR acertou na maior parte deles, mas os dragões já vinham de pé atrás de véspera e o árbitro João Pinheiro tem um passado recente que não aconselha estar presente nos jogos em que se discute tanta coisa. Na próxima semana há mais.

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